Brasília - A suposta tentativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de pedir a ministros do Supremo Tribunal Federal o adiamento do julgamento do mensalão levou ontem a oposição a pedir que ele seja investigado criminalmente e atraiu críticas de Celso de Mello, ministro do tribunal.
Segundo o ministro do STF Gilmar Mendes, Lula ofereceu, em troca da postergação do julgamento, blindagem na CPI do Cachoeira a ele - que não é investigado, mas citado em áudios da Operação Monte Carlo, que investigou Carlinhos Cachoeira. Mendes nega qualquer relação com o empresário. O caso foi revelado pela revista ''Veja''.
A Procuradoria da República confirmou ontem ter recebido o pedido assinado por membros do PSDB, PPS e DEM. Eles afirmam que Lula pode ter praticado três crimes tipificados no Código Penal: tráfico de influência, corrupção ativa e coação no curso do processo judicial. ''Ficam evidentes as práticas desses três crimes'', disse o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).
O ministro Celso de Mello, por sua vez, disse que, se a conduta de Lula for confirmada, constituirá lamentável expressão de grave desconhecimento das instituições republicanas e de seu regular funcionamento no âmbito do Estado Democrático de Direito. ''O episódio revela um comportamento eticamente censurável, politicamente atrevido e juridicamente ilegítimo'', afirmou.
Apesar disso, o presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse que não há motivos para solicitar explicações a Lula e Mendes: ''São questões de ordem pessoal do ministro. Não cabe explicações à CPI''.
Petistas saíram em defesa do ex-presidente e afirmaram que a acusação visa arranhar a imagem de Lula. O senador Walter Pinheiro (PT-BA) disse considerar estranho que Mendes tenha demorado tanto para revelar o teor da conversa.

OAB quer explicações

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, afirmou ontem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve explicações sobre a suposta tentativa de convencer o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a adiar o julgamento do processo do mensalão. (com Agência Estado)

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