Brasília - Quatro partidos de oposição - PFL, PSDB, PPS e PV - enviaram ontem uma carta ao presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), pedindo seu afastamento do cargo enquanto durarem as investigações sobre o suposto recebimento por ele de uma mesada de R$ 10 mil do concessionário de um restaurante da Casa.
Severino deu a resposta imediatamente: não vai se afastar. Contrariado com a articulação para retirá-lo da presidência, recusou-se a receber uma comissão de deputados que iria entregar a carta em sua residência.
O afastamento de Severino do cargo seria uma saída política, uma vez que o regimento não prevê essa possibilidade. O presidente da Câmara poderia se afastar por motivos pessoais, mas sem renunciar: assumiria, nesse caso, o 1º vice, José Thomaz Nonô (PFL-AL). Se Severino renunciar ou for cassado, Nonô assume por apenas cinco sessões e nova eleição é realizada.
Rachadas quanto ao que fazer, as quatro legendas desistiram de dar um ultimato. Disseram que vão analisar as evidências para só depois decidir se farão uma representação formal junto ao Conselho de Ética, sem especificar prazo. Essa representação é que pode determinar a abertura de processo para cassação do mandato do deputado.
A reunião da oposição ocorreu antes do depoimento do empresário Sebastião Buani na Comissão de Sindicância da Câmara, aberta para investigar a denúncia envolvendo Severino Cavalcanti. Buani, dono da concessão de serviços de restaurantes da Câmara, negou ter pago propina de R$ 10 mil mensais para ter sua concessão renovada.
A carta da oposição foi resultado de uma esvaziada reunião no início da tarde, com apenas 13 deputados. Entre eles, o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), da minoria, José Carlos Aleluia (PFL-BA), o vice-líder do PPS, Raul Jungmann (PE), e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). Esperava-se a presença de representantes do PDT, do PSOL, do PMDB e mesmo do PT, partido que tem dado sustentação política a Severino em razão de sua aproximação com o Palácio do Planalto.
As ausências foram justificadas pelo horário marcado para a reunião, meio-dia de uma segunda-feira, numa semana ''morta'' por causa do feriado de quarta-feira. ''A Câmara dos Deputados atravessa, hoje, um dos momentos mais difíceis de sua história. A opinião pública tem, como sabemos, motivos de sobra para estar descontente'', diz a carta das oposições.

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