Partidos de oposição protocolaram ontem, na Procuradoria-Geral da República, pedido de intervenção federal no Estado do Espírito Santo. O documento foi assinado pelo PT, PC do B, PPS, PSB, PDT, PTB, PL, PST e PMN. Alguns partidos da Frente de Oposição (PT, PPS, PSB e PSTU) já protocolaram pedido de impeachment do governador José Ignácio Ferreira (PSDB) na Assembléia Legislativa.
As outras legendas optaram pela intervenção federal porque não consideram o impeachment uma solução para o Estado. ‘‘A linha sucessória está comprometida. O vice-governador (Celso Vasconcelos) é farinha do mesmo saco e o presidente da Assembléia (José Carlos Gratz, do PFL) foi indiciado pela CPI do Narcotráfico’’, afirmou o presidente do PTB e prefeito de Vila Velha, Max Filho.
Ainda de acordo com ele, quando Vasconcelos foi presidente da Câmara Municipal de Vila Velha, de 1991 a 1992, e de 1997 a 1998, foi o período em que a casa teve os maiores gastos. ‘‘Ele gastou 22% do orçamento municipal’’, disse.
O pedido de intervenção tem como base a denúncia de que o Estado não teria aplicado 25% do valor arrecadado em educação, o que contraria a Constituição. O documento ainda cita outras irregularidades que estão sendo investigadas pela CPI da Propina e pelo Ministério Público, como a transferência de recursos estaduais para uma cooperativa de crédito privada e a cobrança de propina para a liberação de benefícios fiscais.
Ontem, a Executiva Nacional do PSDB decidiu ouvir as explicações de José Ignácio sobre a denúncias de corrupção contra o seu governo. A decisão é apenas uma formalidade: existe um consenso entre os integrantes da cúpula tucana: haverá intervenção no diretório estadual do partido. Com a intervenção, o comando do PSDB deverá passar da ala do governador para a do prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas, principal líder do diretório municipal, autor do pedido de intervenção.

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