Supostas irregularidades no registro de candidatura do prefeito de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), José Maria Ferreira (PMDB), e que seriam relacionadas aos ''diários secretos'' da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, são o foco de uma representação que deve ser ingressada hoje, contra o peemedebista, na Corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O documento é assinado pelo líder da oposição no Legislativo, vereador Antonio Carlos Cobo Pires (PDT), e pelo advogado José Augusto Ribas Vedan, e pede não só a anulação da diplomação como também a cassação do mandato de Ferreira.
Na representação, os autores questionam as datas de nomeação e de exoneração de Ferreira do cargo em comissão que detinha no gabinete do presidente da Assembleia, Nelson Justus (DEM), que o nomeara em 1º de abril de 2007. Segundo a medida, para se candidatar, o peemedebista teria de ter deixado o cargo no início de abril de 2008 - a fim de respeitar a desincompatibilização de seis meses exigida pela Justiça Eleitoral -, mas o afastamento só teria sido publicado, efetivamente, em maio daquele ano. A representação aponta ainda que o ato de exoneração, de número 0524/2008, assinado por Justus e datado de 30 de abril de 2008, não consta dos diários oficiais públicos - e sim, dos chamados 'diários secretos'', cuja existência só veio à tona, por meio da imprensa.
O advogado considerou ter havido falhas na liberação da candidatura de Ferreira, pois, define, a desincompatibilização não teria sido feita no prazo legal. ''E houve falsificação ou montagem para dar aparência de legalidade ao processo, pois pegou-se um número qualquer de ato executivo da AL para colocar nessa declaração de que o então candidato estava fora do cargo. Mas como ter um ato anterior com data posterior?'', questionou, citando os princípios de legalidade e moralidade para justificar o pedido de cassação do mandato. Já o vereador resumiu: ''A oposição se sentiu prejudicada, pois faltaram documentos, como o diário oficial público, que comprovassem que ele (Ferreira) não era mais funcionário ativo''.
O prefeito disse não ter se surpreendido com a representação - ele afirma ser alvo da ''sanha da oposição''. ''Eu saí do gabinete dia 1º de abril de 2008, de modo que podia deixar o cargo até o dia 3 daquele mês. Se a minha exoneração só veio à tona agora, eu também não sabia, e nem a responsabilidade pela publicação do ato é minha'', eximiu-se, para continuar: ''A questão mesmo dos 'diários secretos' só veio à tona agora, não sabia de nada. Mas a Justiça já avaliou minha candidatura e a aceitou; o TRE apresenta a relação dos que estão em condições de serem votados e eu não tive problemas''.

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