Os partidos de oposição contabilizavam ontem 220 assinaturas a favor da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a compra de votos pró-reeleição, mas não tinham certeza se conseguiriam levar as investigações para a frente. O governo continuou fazendo pressão para que os partidos aliados neguem o voto necessário à instalação da CPI.
O líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), orientou os deputados do partido a esperar o resultado da comissão de sindicância que apura a suspeita de que cinco deputados do Acre venderam seus votos por R$ 200 mil - Chicão Brígido (PMDB), Osmir Lima (PFL), Zila Bezerra (PFL), João Maia e Ronivan Santiago, os dois últimos expulsos do PFL. ‘‘Estamos convencidos de que não precisamos de nenhuma CPI’’, afirmou Geddel Vieira Lima.
Apesar da orientação do líder do PMDB, as oposições foram informadas de que o grupo que segue o presidente do partido, Paes de Andrade (CE), vai assinar hoje o pedido de instalação da CPI. Ontem, por orientação do líder, deputados do PMDB estavam retirando as assinaturas. Geddel garantiu que dos 35 que deram apoio à Comissão Parlamentar de Inquérito, 19 já recuaram.
Assinaturas de deputados suficientes para instalar a CPI já existem, pois são necessárias apenas 171. Mas isto não quer dizer que a CPI será instalada. Depende de uma decisão política do plenário. Para que o projeto de resolução que autoriza o início dos trabalhos seja aprovado são necessários 257 votos, número que as oposições não têm. Elas teriam de contar com pelo menos 163 votos dos aliados do governo. É nestas contas que o governo confia.
Durante toda a semana ministros e auxiliares do presidente Fernando Henrique Cardoso vão insistir em convencer os aliados a negar os votos às oposições. O argumento do governo - que conta aí com o auxílio do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) - resume-se em um ponto só: a punição exemplar aos deputados que estão envolvidos na venda dos votos. Para o governo, o assunto encerra-se no Acre.
Os ministros e os líderes dos partidos aliados vão dizer para os parlamentares que uma CPI costuma travar todo o processo legislativo. O maior exemplo a ser citado é o da CPI do Orçamento. A revisão constitucional que deveria ter início em outubro de 1993 foi abafada pelo escândalo que envolveu dezenas de deputados e senadores. A CPI só terminou em janeiro de 1994. A revisão constitucional perdeu força e foram aprovadas apenas cinco emendas, todas de pouca importância.
A CPI de Paulo Cesar Farias, o PC, também paralisou o Congresso, durante quase todo o ano de 1992. E o governo acha que se não aprovar as suas reformas neste ano não terá nenhuma chance no próximo ano, quando haverá eleição.

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