Brasília - Em reunião ontem com o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a oposição anunciou que não votará qualquer outra matéria antes de uma acordo sobre a reforma tributária. Uma exceção foi aberta apenas para a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) dos municípios. ‘‘Não teremos pauta (de votação) enquanto não houver entendimento sobre a reforma’’, disse o líder do PSDB, José Aníbal (SP). O governo, por seu lado, anunciou que colocará em votação a proposta na próxima semana.
  Uma última tentativa de entendimento será feita hoje, quando os líderes da oposição terão um encontro com o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), com o relator da reforma tributária, deputado Sandro Mabel (PR-GO) e com representantes do Ministério da Fazenda. José Aníbal ficou de telefonar para os governadores e senadores que se opõem à reforma na tentativa de um acordo. ‘‘Não estou otimista sobre essa possibilidade’’, disse.
  Antes do encontro com Chinaglia, os líderes do PSDB, do DEM, Antônio Carlos Magalhães Netto (BA) e do PPS, Fernando Coruja (SC), anunciaram que não aceitam votar a proposta de reforma tributária este ano. ‘‘Se o governo tentar votá-la, contará com uma objeção e uma obstrução, a mais dura possível’’, disse o ACM Netto.
  Para o líder do PSDB, o substitutivo apresentado pelo relator Sandro Mabel é ‘‘a anti-reforma’’ e não pode ser aprovada. ‘‘Se ela for aprovada será uma das heranças malditas que este governo deixará para o futuro governo, que será eleito em 2010’’, disse José Aníbal.
  A oposição anunciou que, na próxima semana, vai apresentar simulações sobre as perdas dos estados com a reforma e apresentar propostas ‘‘pontuais’’ para melhorar o sistema tributária e desonerar setores da economia e que poderão ser aprovadas por legislações infra-constitucionais. ‘‘O substitutivo do relator tem algumas medidas boas. Nós vamos pegar essas sugestões e apresentá-las em propostas que poderão ser aprovadas por legislação infra-constitucional’’, disse ACM Netto. Ele não especificou quais são essas sugestões que a oposição acha interessante.
  A mobilização da oposição e as divergências dentro da própria base aliada sobre o texto final da reforma já produziu alguns atrasos. Os líderes não conseguiram ontem pela manhã e à tarde garantir quórum suficiente sequer para abrir a sessão da Câmara. Isso só foi possível no início da noite. Mesmo assim, os líderes da base aliada garantem que superarão as divergências e garantirão votos suficientes para aprovar a reforma.
  Mabel (PR-GO) disse que a Câmara tem todas as condições de votar a proposta este ano para que, no princípio de 2009, o Senado possa analisá-la e fazer as adequações que considerar necessárias. Ele garantiu que a reforma reduzirá a carga tributária e dá garantias para que os estados não tenham perdas de arrecadação. (colaborou Renata Veríssimo)

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