Brasília - O PSDB apresentou ontem à Comissão de Fiscalização e Controle do Senado um requerimento de convite ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, para dar explicações sobre o uso de aeronaves de uma empresa privada. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que assina o documento, pede ''justificativas pertinentes para o descumprimento do Código de Conduta da Alta Administração Federal'' e o eventual conflito de interesses no episódio.
Aloysio Nunes também apresentou requerimento ao Ministério da Defesa, a fim de que diligencie junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para informar as origens e destinos dos voos realizados desde 2009 com a aeronave da construtora Sanches Tripoloni, bem como os passageiros e tripulantes do avião.
Reportagem da revista Época desse fim de semana revelou que Paulo Bernardo teria viajado num avião da construtora Sanches Tripoloni, de Maringá, que faz obras para o governo federal no Paraná, Estado de origem do ministro.
Questionado pela oposição sobre as viagens no avião da Sanches Tripoloni, em depoimento prestado ontem na Câmara, Bernardo afirmou que não se lembra dos prefixos das aeronaves em que viajou no ano passado. Em nota oficial divulgada anteontem, Bernardo admitiu que utilizou aeronaves de várias empresas no ano passado, durante a campanha eleitoral e nos fins de semana, mas afirmou que o serviço foi pago.
Ideli
A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti defendeu o ministro Paulo Bernardo, e a mulher dele, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, das denúncias de uso de um avião de uma empreiteira, no ano passado, durante campanha eleitoral. ''Não tem nenhum comentário e os ministros estão dando as respostas devidas'', justificou Ideli.
Sobre as escutas telefônicas que envolveram o seu nome, Ideli explicou que as escutas foram de um processo que culminou com a prisão do ex-presidente do PR de Santa Catarina, Nelson Goetten de Lima, por suspeita de pedofilia. ''E quem prestou a atenção nas gravações e não fez sensacionalismo, viu que as conversas são defendendo interesse do estado de Santa Catarina, sobre andamento e execução de obras'', afirmou. Segundo ela, foram ''conversas normais e tranquilas, a respeito de indicação e manutenção de nomes''.

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