Oposição negocia criação de uma CPI
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quarta-feira, 14 de maio de 1997
Agência Folha De Brasília 
Arquivo FolhaLisuraLuís Eduardo: mesmo citado no escândalo, assinou pedido de CPIO bloco parlamentar de oposição na Câmara (PT, PDT, PSB e PC do B) decidiu ontem negociar com os partidos governistas a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre a compra de votos de deputados a favor da reeleição. A estratégia oposicionista é demonstrar ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que a sindicância aberta pela corregedoria da Casa será insuficiente para esclarecer o caso, por não ter poder para convocar ministros e governadores ou quebrar o sigilo bancário dos envolvidos.
A oposição obteve apoio de 190 deputados, até às 18h20 de ontem, para a instalação de uma CPI na Câmara. O requerimento com as assinaturas já foi entregue a Michel Temer. A partir de amanhã, a oposição tentará colocar em votação, em regime de urgência, projeto de resolução criando a CPI. Para ser instalada uma CPI na Câmara é necessária a aprovação da proposta por maioria absoluta (247 votos) dos 513 deputados. O regimento da Câmara prevê que, sem autorização do plenário, só podem funcionar cinco CPIs simultaneamente. Nesse caso, as propostas de CPI têm que esperar na fila até a conclusão das investigações em andamento e a instalação e conclusão das propostas que estão aguardando. Existem na Câmara 19 pedidos de instalação de CPI.
O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) recolhe assinaturas para uma CPI Mista do Congresso, que teria membros da Câmara e do Senado. Chinaglia ultrapassou, ontem à tarde, o número mínimo de 171 assinaturas de apoio entre os deputados. Ele espera obter hoje as 27 assinaturas de senadores necessárias para a instalação da CPI Mista. No Congresso, não há limite para a instalação de CPIs, desde que a proposta tenha o apoio de um terço dos senadores e dos deputados.
Em reunião ontem à tarde, a oposição decidiu ainda que não vai obstruir as votações em andamento na Câmara para não radicalizar e permitir que os partidos que apóiam o governo impeçam a criação da CPI. A estratégia é conversar com a Casa, ser habilidoso e negociar a instalação da CPI, resumiu o deputado José Genoíno ao final da reunião. Nunca vi CPI sair no grito, completou. Citado nas conversas gravadas pelo deputado João Maia (sem partido-AC), o deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), ex-presidente da Câmara, assinou o requerimento para criação da CPI.


