O bloco de oposição na Assembléia Legislativa negociou ontem com a mesa executiva a inclusão das notas taquigráficas na ata da sessão da última segunda-feira, quando foi derrubado o projeto popular que impedia a venda da Copel. O objetivo dos oposicionistas é não comprometer os planos de ingressar na Justiça pedindo a anulação da sessão.
A bancada quer garantir que fiquem registrados os protestos e questões de ordem dos oposicionistas, que consideraram ilegal a substituição do deputado Custódio da Silva (PFL) por Nelson Justus (PTB), dono do mandato. A alegação é que a sessão iniciada na terça-feira, com a presença do pefelista, não havia sido encerrada antes da posse de Justus. A oposição entende que isso fere o Regimento Interno da Casa. A mesa executiva defende que encerrou a sessão, e que o dono do mandato pode reassumir quando quiser. As notas taquigráficas servirão para embasar ações judiciais. Se tivesse aprovado a ata sem a inclusão das notas, a ala oposicionista perderia argumentos.
O bloco trabalha ainda para evitar retaliações ou perseguições a aliados do governo que votaram contra a venda da Copel. O vice-líder do governo na Assembléia, Ademar Traiano (PTB), disse que os 27 deputados da base que votaram contra o projeto popular vão definir qual será a punição aos desertores. ''Tem que ser um consenso entre todos'', garantiu Traiano.
Segundo ele, o governo não pode dispensar o mesmo tratamento aos parlamentares que o apoiaram em um momento decisivo e aos que mudaram de lado. ''Não se pode conceber que todos tenham o mesmo tratamento'', afirmou o petebista. O deputado não adiantou quais poderão ser as retaliações. Nos bastidores, os comentários davam conta que os aliados dissidentes podem perder recursos para obras em seus municípios, participação do governo estadual e apoio em seus projetos. O governador Jaime Lerner (PFL) garante que vai liberar recursos para municípios da oposição.
Ontem, as bancadas do PMDB e do PSDB apresentaram projetos alterando o texto da Lei 12.355/98, que autoriza o Estado a vender a Copel. A lei diz que 70% dos recursos obtidos com a venda serão investidos ''primordialmente'' no fundo previdenciário, e os 30% restantes em saúde, educação, segurança e geração de empregos. Eles querem substituir a palavra ''primordialmente'' por ''obrigatoriamente'', e não deixar brechas para o Estado dar outro destino aos valores.

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