Oposição não aceita Congresso Revisor
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sexta-feira, 10 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
O governo não terá os votos das oposições para aprovar a proposta de uma Assembléia Revisora em 1999. A sugestão, apresentada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), foi festejada pelo governo, mas irritou as oposições, em especial o PT que se recusa a apoiar a idéia. Se o governo pensa em instalar um Congresso Revisor com os votos das esquerdas, pode desistir, avisou o líder do PT, deputado José Machado (SP). Ele reconhece que a proposta de Miro Teixeira limita a revisão da Carta aos artigos que tratam da ordem tributária, do pacto federativo e da reforma política, mas adverte: Diante de um governo que opera no Congresso na base do rolo compressor, as oposições não podem se fragilizar porque por onde passa um boi, passa uma boiada.
A sugestão de Miro surpreendeu as esquerdas, incluindo aí o PDT do autor da proposta. Não queremos ditar o comportamento de ninguém, mas uma proposta que envolve toda a oposição deveria ter sido debatida internamente, disse José Machado ao líder em exercício do PDT, deputado Matheus Schmidt (RS). O Miro não fala em nome do PDT, reagiu Schmidt diante da queixa de que o bloco das oposições não fora consultado.
O líder petista diz que as esquerdas não facilitarão o quórum para o governo fazer as reformas porque isto só serviria para fazer prevalecer o pensamento das elites. O argumento não contempla, porém, a briga por espaço no Congresso, em que as oposições resistem contra a redução do quorum numa Assembléia Revisora, temerosas de que se tornem dispensáveis no processo político dominado pelos governistas. O governo só nos procura para conversar no caso das emendas constitucionais, em que precisa do apoio de três quintos do Congresso, reclamou um liderado de José Machado.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), poderá anunciar na próxima semana mudanças na redação final elaborada pelo deputado Moreira Franco (PMDB-RJ) para o texto da reforma administrativa aprovado em primeiro turno durante a convocação extraordinária de julho do Congresso Nacional. Atendendo a uma questão de ordem do bloco de oposição, Temer estuda a possibilidade de retirar da proposta palavras e expressões que não constavam da emenda constitucional aprovada em plenário. A redação final preparada por Moreira foi aprovada na quarta-feira pela comissão especial encarregada de analisar a reforma administrativa, durante uma reunião confusa em que os partidos aliados ao governo recorreram à tática de rolo compressor para atropelar as oposições, que pretendiam adiar a votação da matéria.
A principal queixa dos oposicionistas refere-se ao dispositivo da redação final da reforma administrativa que sustenta o fim do Regime Jurídico Único (RJU) dos servidores públicos. De acordo com parlamentares do bloco, o RJU deveria ser mantido depois da votação, no primeiro turno, de um destaque a dispositivo que tratava da criação dos contratos de emprego público. Temer ainda não tomou uma decisão a respeito do tema, mas vem sendo aconselhado por parlamentares e técnicos da Câmara a retirar da redação final termos incluídos de última hora por Moreira Franco, relator da reforma.


