Sanepar aguarda análise da Agência Reguladora do Paraná sobre o pedido de revisão tarifária e reitera investimento de R$ 4 bilhões nos últimos seis anos
Sanepar aguarda análise da Agência Reguladora do Paraná sobre o pedido de revisão tarifária e reitera investimento de R$ 4 bilhões nos últimos seis anos | Foto: Ricardo Chicarelli/09-11-2015



Curitiba – O possível reajuste de 26% nas tarifas de água e esgoto por parte da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) acirrou os ânimos nessa segunda-feira (6) durante sessão plenária na Assembleia Legislativa (AL). Em discurso da tribuna da Casa, o líder oposicionista, Tadeu Veneri (PT), acusou a gestão Beto Richa (PSDB) de trabalhar para beneficiar acionistas privados da empresa, prejudicando a população do Estado.

Já o líder da situação, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), negou, contando que o diretor-presidente da Agência Reguladora (Agepar), Cezar Silvestri, a quem compete autorizar ou não o acréscimo, estará na AL nesta quarta, às 11 horas, na reunião da Comissão de Defesa do Consumidor, justamente para debater a questão, de forma transparente.

O pedido de aumento foi confirmado pelo secretário de Estado da Fazenda, Mauro Ricardo Machado Costa, durante audiência de prestação de contas no dia 22 de fevereiro. Na ocasião, ele admitiu que a Agepar estaria estudando "uma nova estrutura tarifária". Conforme Veneri, nos últimos seis anos os reajustes totalizaram 106%, diante 55% de inflação medida pelo IPCA.
"Esse aumento, no nosso entendimento, nada mais é do que remunerar um capital investido por especuladores na Bolsa de Valores, que compraram ações em dezembro, ganharam muito dinheiro até janeiro, cerca de R$ 500 milhões, e hoje tanto o BTG Pactual como o Itaú sinalizam claramente que há uma necessidade de um reajuste para que as ações sejam remuneradas", afirmou.

Na avaliação do petista, não existe razão nenhuma para que a Sanepar, "que teve lucro de mais de R$ 630 milhões e recebeu mais de R$ 200 milhões com a venda de ações feitas em dezembro, faça um aumento acima da inflação sem nenhuma explicação aos consumidores. "Se a Agepar vier a autorizar, a única coisa que entenderemos é que houve uma operação em curso para que as pessoas antecipadamente comprassem ações sabendo que a Sanepar faria um aumento na tarifa muito acima da inflação, o que obviamente é uma informação privilegiada. Cabe à CVM [Comissão de Valores Mobiliários] e ao Ministério Público Federal investigar. Existe hoje todo um processo de privatização do sistema de água no Brasil e precisamos alertar a população", prosseguiu.

"A questão tarifária da Sanepar passa por uma agência reguladora. E o presidente da Agepar discorrerá sobre o pedido formulado. A mim parece que qualquer reajuste superior ao valor da inflação não é suportável pelo consumidor. Mas isso obviamente quem tem de dizer é a agência reguladora", ponderou Romanelli. O líder governista também avaliou como um sucesso a venda dos papeis da companhia. "É um resultado extremamente importante e produtivo. Há já uma soma de recursos na ordem de R$ 880 milhões e temos obras inclusive programadas com base nesses recursos", comentou.

SANEPAR
Por meio da assessoria de imprensa, a Sanepar afirmou que solicitou à Agepar um pedido de revisão tarifária, e não um reajuste, e que qualquer análise sem o aval técnico da agência é mera especulação. A companhia reitera que tem índices muito acima da média nacional em atendimento com água tratada e com o serviço de coleta e de tratamento de esgoto, destacando somente nos últimos seis anos investiu R$ 4 bilhões na ampliação e na melhoria dos sistemas.

mockup