Oposição mantém ataque cerrado ao presidente
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terça-feira, 15 de setembro de 1998
Ariosto Teixeira Agência Estado 
Os efeitos da crise financeira internacional sobre a economia brasileira, e seus prováveis desdobramentos negativos, foram mantidos como temas estratégicos da campanha do candidato da aliança de esquerda, Luiz Inácio Lula a Silva (PT), no horário eleitoral gratuito transmitido na tarde de ontem. Lula repetiu o slogan criado pelos estrategistas da sua campanha: O presidente Fernando Henrique Cardoso abaixou a cabeça para os agiotas internacionais, disse, referindo-se à alta dos juros básicos da economia decretado na semana passada pelo Banco Central para conter a erosão das reservas cambiais do País.
A linha adotada pelo programa da esquerda tenta levar a campanha para uma discussão retórica, em que a política ou o debate programático desce para segundo plano. O governo mente o presidente mente, o presidente abaixa a cabeça para os agiotas internacionais, repete em off um locutor. Lula, no início da sua fala, pergunta ao telespectador se ele já parou para pensar porque o presidente da Argentina, Carlos Menem, quer tanto a reeleição de Fernando Henrique, ou porque o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, bate palmas para Fernando Henrique nas imagens do programa dele. E ele mesmo responde: é porque o governo abriu o País às importações indiscriminadas, gerando emprego na Argentina e nos Estados Unidos e desemprego no Brasil.
Na mesma linha do programa de Lula, o candidato do PPS, Ciro Gomes, abandonou o discurso elegante que vinha fazendo, não sem antes pedir desculpas, para chamar o presidente Fernando Henrique de cara-de-pau. Com base na sua experiência como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, que ajudou a eleger Fernando Henrique, o candidato do PPS disse que sabe onde eles (o governo atual) erraram na execução do Plano Real. Ciro informou, sem dar detalhes, que tem um projeto de salvação do Brasil e, naturalmente, pediu apoio eleitoral para executá-lo. Fernando Henrique produziu essa crise e diz agora que é o único candidato preparado para enfrentá-la. Desculpem, mas ele é cara-de-pau demais para merecer o prêmio da reeleição, criticou Ciro Gomes.


