A oposição manobrou e conseguiu empurrar para a noite a votação do primeiro projeto de iniciativa popular da história do Paraná, que cassa a autorização concedida em 1998 para o Estado vender a Copel (Lei 12.355). Por causa de tumultos nas galerias, a sessão começou com meia hora de atraso, às 15 horas, e os deputados oposicionistas recorreram ao Regimento Interno para retardar o início da votação. Eles defenderam que não poderia ser aberta nova sessão, porque a anterior (iniciada na terça-feira e prorrogada até quarta-feira passada) não havia sido encerrada, e sim apenas suspensa. O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB), disse que a sessão foi devidamente encerrada e deu início aos trabalhos.
Até o fechamento desta edição, às 22 horas, o projeto ainda não havia sido votado. Mas deputados da oposição davam como certa a derrota. O deputado Orlando Pessuti (PMDB) disse que mesmo com a vitória da base aliada, sairia da Assembléia de cabeça erguida, consciente do dever cumprido.
No começo da sessão, a chamada nominal acusou a presença dos 54 deputados no plenário. Situação e oposição passaram um fim de semana tenso, em busca de mais apoio. O líder do governo, Durval Amaral (PFL), sustentava que faria 27 votos. A oposição teria 26. O presidente da Casa só vota em caso de empate.
Foram aprovadas as atas das sessões dos dias 14 e 16. O tucano Neivo Beraldin pediu que as votações fossem nominais, mas não conseguiu aprovar os requerimentos. Da primeira vez, a votação deu empate (em 26 votos) e Brandão rejeitou o pedido. O pedido para que a votação da segunda ata fosse nominal acabou derrubado pela bancada aliada. A votação das atas foi considerada um termômetro da votação do projeto popular.
Além do projeto popular que revoga a Lei 12.355 , estava na pauta projeto do deputado Tony Garcia (PPB), também cassando a autorização do Estado para vender ações da Copel.
Neivo Beraldin protocolou ontem no Tribunal de Justiça (TJ) agravo de instrumento (com pedido de liminar) pedindo informações ao governo do Estado sobre o processo de privatização e a suspensão do processo de venda. O recurso foi protocolado 20 dias depois de o tucano ter encaminhado a ação com o pedido de informações à 2 Vara de Fazenda Pública, sem sucesso. Beraldin argumenta que o Estado não pode vender a empresa enquanto pairem dúvidas sobre o processo de privatização.
Os três senadores paranaenses Alvaro Dias (PSDB), Osmar Dias (sem partido) e Roberto Requião (PMDB) , vereadores e deputados federais também acompanharam a sessão de ontem. (colaborou Israel Reinstein)

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