Oposição lançará candidato único em 98
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
Os líderes dos partidos de oposição formalizaram ontem o projeto da candidatura única para enfrentar Fernando Henrique Cardoso nas eleições à Presidência em 1998. Foram quatro horas de intensos debates em reunião fechada, seguidos de encontros com as bancadas parlamentares e discursos inflamados de críticas ao governo. Falta às esquerdas fechar o nome do candidato, mas o presidente licenciado do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, deixou claro que já está em campanha.
Se depender de minha vontade, teremos unidade, candidato único, iremos dar um susto no presidente Fernando Henrique Cardoso e vamos ganhar as eleições de 98, sustentou Lula no encontro que reuniu, numa comissão da Câmara, deputados e senadores das esquerdas, e os presidentes do PDT, Leonel Brizola, do PT, José Dirceu, e do PC do B, João Amazonas. O líder máximo do PSB, governador Miguel Arraes, participou da reunião apenas na parte da manhã, quando os caciques da oposição fecharam a candidatura única.
José Dirceu afirmou que, hoje, Lula é o candidato mais forte das esquerdas para enfrentar o governo e seu projeto em 98. Brizola também deu uma força na candidatura de Lula: Vamos sair juntos para as ruas, nem que tenhamos que engolir um...., disse ele, arrancando risos da platéia. Ele não precisou falar sapo para entendermos que falava de Lula, emendou o deputado Paulo Bernardo (PT-PR). Na campanha presidencial de 89, Brizola referiu-se a Lula como sapo barbudo.
Lula não admite já ser candidato e explica que, antes da escolha do nome, as oposições deverão traçar um programa comum de governo. Mas contou que está retomando as caravanas e provavelmente no final de julho passará 10 dias na cidade mais pobre do País para provar que o projeto neoliberal do governo levou a cidade a tal situação. Uma equipe está fazendo o levantamento de qual será esta cidade. Com a promulgação da reeleição, antecipou-se o debate sucessório diz José Genoíno (PT-SP).
Peemedebista A primeira reunião da cúpula do PMDB para discutir o cenário eleitoral de 1998, anteontem à noite, deixou claras as dificuldades que os líderes terão para unir o partido na disputa pela Presidência da República. Além de mostrar o racha partidário quanto à melhor estratégia para se chegar ao poder - com ou sem candidato próprio -, o encontro serviu para lançar informalmente dois candidatos ao Planalto: o ex-presidente José Sarney (AP) e o senador Roberto Requião.
Quem esteve naquele jantar não tem dúvidas de que os dois senadores querem o lugar do presidente Fernando Henrique Cardoso, disse um dirigente do partido. Compartilham desta avaliação não só o anfitrião, presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), mas também seus convidados - senadores, deputados e até os dois ministros peemedebistas (Íris Rezende, da Justiça, e Eliseu Padilha, dos Transportes), defensores de uma aliança eleitoral com os tucanos.
A candidatura Requião ficou clara nas críticas duras que o senador fez ao presidente Fernando Henrique. Esse governo não tem política agrícola, não tem política social nem industrial, disse, para sugerir, em seguida, que o PMDB apresente à sociedade seus projetos nesses setores. Os reparos não ficaram restritos ao discurso do candidato Requião. De acordo com o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), ficou evidente para todos a necessidade de o partido ter um conjunto de propostas, sobretudo na área social.


