Oposição lança ofensiva contra Jader
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quinta-feira, 16 de agosto de 2001
Demétrio Weber<BR>Agência Estado 
Os partidos de oposição estão preocupados com o ritmo lento do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar na investigação das acusações de corrupção contra o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). A comissão de inquérito tem até o dia 3 para apresentar relatório pedindo ou não a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar, mas a apuração pouco avançou. Diante da falta de resultados esta semana, senadores iniciaram uma ofensiva ontem para cobrar pressa.
A decisão foi tomada em encontro do líder do bloco de oposição na Casa, senador José Eduardo Dutra (PT-SE), com o líder do PPS, Paulo Hartung (ES), e a senadora Heloísa Helena (PT-AL). ''O trabalho tem que ser agilizado'', disse Dutra. Ele defendeu a antecipação, para a semana que vem, do depoimento de Jader à comissão de inquérito. ''É preciso fazer perguntas objetivas para comparar as respostas com os dados documentados.''
A comissão é formada pelos senadores Romeu Tuma (PFL-SP), Jefferson Péres (PDT-AM) e João Alberto (PMDB-MA). Pelo menos Tuma e Péres acham possível apresentar o relatório até o dia 3 de setembro. O regimento interno do Senado não prevê, explicitamente, a prorrogação do prazo por mais 30 dias. Mas, por analogia ao funcionamento das comissões da Casa, isso seria possível, segundo o presidente do Conselho de Ética, senador Geraldo Althoff (PFL-SC).
Tuma anunciou que, na próxima terça-feira, serão ouvidos o ex-presidente do Banco Central e atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Francisco Gros, e o procurador-geral do BC, José Coelho Ferreira, que em 1992 aprovaram parecer que permitiu arquivar processo relativo ao Banco do Estado do Pará (Banpará), em que Jader é acusado de desviar recursos.
Tuma também recebe amanhã o laudo do perito Ricardo Molina sobre a autenticidade da fita em que o deputado estadual de Amazonas Mário Frota (PDT) supostamente cobraria propina, em benefício de Jader, para liberar recursos da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Paira sobre a fita a suspeita de que a gravação tenha sido forjada. A investigação da fita foi a única efetivamente conduzida pela comissão de inquérito. Na semana passada, seus membros foram a Manaus ouvir os envolvidos.
A comissão também não tinha recebido as declarações de renda pessoais de Jader, que são anualmente apresentadas pelos senadores à direção da Casa. Segundo Tuma, no entanto, mais importantes são as declarações de renda das empresas de Jader (pessoa jurídica), que permitirão verificar se o presidente licenciado declarou ou não a posse de fazendas no Pará.
Já o relatório do Banco Central sobre o caso Banco do Estado do Pará (Banpará) foi entregue ontem ao primeiro secretário do Senado, Carlos Wilson (PSB-PE). O BC também revelou a existência de mais dois relatórios sobre o banco, anteriores a 1990, e que podem implicar Jader. A quebra de sigilo bancário do senador já mostrou depósitos de US$ 4 milhões.


