Numa tentativa de evitar que deputados da aliança governista retirem suas assinaturas, a oposição divulgou ontem a lista atualizada dos parlamentares que assinaram na Câmara o pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da corrupção.
A lista divulgada registra as assinaturas de 174 deputados e 27 senadores, mas omite as de outros 12 deputados que teriam pedido para que seus nomes fossem mantido em sigilo até a entrega do requerimento, ato marcado para a próxima quarta-feira.
A publicação é uma forma de evitar que os deputados da base aliada, pressionados pelo Palácio do Planalto, retirem suas assinaturas. A oposição supõe que, tendo seus nomes divulgados, os deputados pensarão duas vezes antes de ceder a eventuais pressões. Ficaria difícil explicar o recuo.
Além das 12 assinaturas não divulgadas, a oposição tem promessas de mais apoios, inclusive de tucanos e peemedebistas. Até agora, oficialmente, apenas dois deputados do PSDB, partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, assinaram o pedido de CPI: Flávio Arns (PR) e Augusto Franco (SE).
Dos três maiores partidos que integram a aliança governista, o PMDB é o mais infiel: contribuiu com 23 assinaturas. O PFL vem a seguir, com 11. O PPB, que é a quarta maior força da aliança, entrou com 4.
A meta da oposição é conseguir 200 assinaturas – o mínimo exigido é 171. Na terça-feira, a oposição ganha mais um apoio entre seus próprios aliados. O deputado Pimentel Gomes (PPS-CE) vai assinar o pedido de CPI. Ele assumiu ontem o mandato na vaga do deputado Ubiratan Aguiar (PSDB-CE), que foi para o TCU (Tribunal de Contas da União).
A oposição quer garantir uma margem de assinaturas porque o governo já anunciou que tem ofícios de deputados da base retirando o apoio. Os alvos preferenciais da oposição no momento são os deputados chamados carlistas, que seguem a orientação política do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), os tucanos de Minas Gerais, os peemedebistas de São Paulo e os deputados do PPB afinados com o deputado Delfim Netto (SP), que tem dado manifestações de simpatia à CPI.
Até quarta-feira, a oposição espera a adesão de mais carlistas. ‘‘O caminho natural dos carlistas é assinar o pedido de CPI’’, afirmou o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA). Para o petista, os carlistas devem assinar a CPI em consequência do desgaste político de ACM. ‘‘Como a tentativa de acordo entre os partidos para salvar ACM naufragou, resta a CPI, seguindo a política do olho por olho’’, disse Pinheiro.
Mas o fato é que os principais nome ligados a ACM na Câmara até agora não se dispuseram a subscrever o requerimento, assim como os deputados que seguem a liderança política do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), também alvo de denúncias.
No Senado, já foram obtidas as 27 assinaturas necessárias. O líder do bloco de oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE), afirmou que há promessas de mais duas assinaturas de senadores.

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