Agência Estado
De Brasília
A oposição ao presi dente Fernando Henri que Cardoso caminha para a divisão nas eleições gerais de 2002. Ainda faltando três anos e três meses para a eleição presidencial, quatro pré-candidatos de esquerda emergem do cenário político atual: o presidente de honra do PT Luís Inácio Lula da Silva, o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PPS), o governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PDT) e o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, filiado ao PMDB, mas pertencente à ala dissidente do partido e apoiado pelos partidos de oposição no seu Estado.
Animada com a queda acentuada da popularidade do presidente, a oposição não discute mais a proposta, defendida por Ciro Gomes há três meses, de se formar um ‘‘Diálogo Nacional’’ para a escolha de um candidato único dos partidos da oposição em 2002. ‘‘O debate sucessório se precipitou dentro da esquerda porque o governo Fernando Henrique está acabando com três anos de antecedência. Os partidos da aliança dele também já estão se articulando’’, afirmou o vice-líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE).
As articulações já começaram porque dirigentes de todos os partidos oposicionistas concordam em um ponto: mesmo com a possibilidade da coalizão que sustenta Fernando Henrique se dividir em mais de uma candidatura, não há espaço para tanta gente na disputa presidencial. ‘‘Haverá, no máximo, três candidatos’’, prevê o senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ). Uma candidatura presidencial de Itamar Franco, por exemplo, poderia inviabilizar a pretensão de Garotinho. ‘‘É muito pouco provável que Itamar consiga legenda pelo PMDB’’, disse o líder pedetista na Câmara, Miro Teixeira (RJ), afirmando que ‘‘se ele migrar para outro partido, poderá ser apoiado por amplos setores da oposição’’.
Desde o início do ano, o governador mineiro vem sendo insistentemente lembrado como presidenciável pelo presidente nacional do PDT, o ex-governador Leonel Brizola. Itamar também é visto como um possível futuro quadro do PSB. ‘‘O Itamar não deve sair pelo PMDB, mas pode sair pelo PSB ou pelo PDT, em uma coligação dos dois partidos’’, disse o senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ).
Mesmo não tendo a sua candidatura totalmente encampada pelo seu próprio partido, que corteja Itamar, Garotinho tem a vantagem de ser visto como possível parceiro por todas as correntes de esquerda. É apoiado pelo PSB no Rio, retomou o diálogo com Leonel Brizola e encarado com simpatia pelo PPS e pelo PT. ‘‘ Ele tem uma visão moderna e seria bem recebido por nós’’, disse o presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE).
O petista José Eduardo Dutra também admite a possibilidade do partido preferir Garotinho a Lula. ‘‘É possível convergir com Garotinho. Mesmo sendo o maior partido da oposição, o PT não precisa indicar o candidato a presidente. O que importa é viabilizar a vitória. O que adianta lançar o Lula e perder de novo?’’.
Disputar a reeleição ao governo do Rio em 2002, por enquanto, é uma hipótese descartada pelo governador. ‘‘Ele já se reuniu com todos os partidos, inclusive com o PSB, para dizer que quer ser candidato a presidente nas próximas eleições’’, disse Saturnino.
Se Garotinho é o que tem o maior trânsito dentro da oposição, Ciro Gomes é o que tem o menor. ‘‘É muito mais difícil se aliar com o Ciro’’, afirmou Dutra, comparando-o com o governador fluminense. ‘‘Ele está ainda cumprindo uma quarentena na oposição, antes de ser visto como confiável’’. Para Saturnino Braga, ‘‘Ciro Gomes tem um problema com o seu passado. Não dá para esquecer que foi ele, como ministro da Fazenda, que deu partida para a política de alta de juros’’.
Otimista, Roberto Freire ainda comemora os bons índices que Ciro Gomes obteve em intenções de voto para a presidência este ano. ‘‘Ele obteve 11% dos votos no ano passado e agora já está com 17% nas pesquisas. Foi o único que cresceu’’, disse o senador.
Embora tenha sinalizado que não deseja disputar a presidência da República pela quarta vez consecutiva, Lula é visto por todas as correntes como um candidato potencial. ‘‘O Lula não tem obsessão por disputar o cargo, mas tem uma penetração no eleitorado com que os outros não contam. Em 1998, partiu dele mesmo a iniciativa de construir candidaturas alternativas, mas acabou se constatando que ele era o melhor nome’’, disse Dutra’’. Considero remota a possibilidade do PT, sendo o maior partido da oposição, deixar de ter candidato e mais remota ainda a construção de outro nome no PT que não seja o do Lula’’, afirmou Saturnino.A mais de três anos para a disputa, quatro pré-candidatos emergem do cenário político sem falar mais em um ‘diálogo nacional’
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