O líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE), contabilizou ontem 25 assinaturas de senadores para criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ampla para apurar denúncias de corrupção no Brasil, mas não cantou vitória. Embora faltem apenas mais dois senadores para que os adversários do Planalto atinjam as 27 assinaturas necessárias à instalação da CPI, segundo um dos líderes do bloco da oposição, foi o governo quem avançou esta semana para barrar o inquérito.
‘‘Na sexta-feira nós tínhamos a garantia de apoio de 28 senadores, e hoje estamos derrapando nos 25’’, conta o líder. Não é à toa. O presidente Fernando Henrique Cardoso entrou na articulação anti-CPI, e monitora a situação diariamente, em vários telefonemas aos líderes aliados na Câmara e Senado. Na avaliação das oposições, os sinais mais visíveis da atuação do governo foi o recuo de alguns senadores que já haviam se comprometido com a CPI. Citam os peemedebistas Amir Lando (RO), que está viajando; Ramez Tebet (MS), que quer refletir melhor, e o tucano Osmar Dias (PR), que decidiu adiar a decisão até ter a certeza de que a oposição quer investigar, e não apenas montar um palanque eleitoral contra o governo.
Mas se o Planalto conseguiu ganhar terreno uma semana depois da quarta-feira negra em que o presidente do Senado e do PMDB, Jader Barbalho (PA), anunciou da tribuna que assinaria o requerimento, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) também partiu para a ofensiva. Foi ele quem engordou a lista das assinaturas no Senado, forçando o apoio dos baianos Waldeck Ornélas (PFL) e Paulo Souto (PFL).
O apoio do PFL da Bahia surpreendeu o Planalto. Enquanto o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), apostava no corredor que os dois carlistas do Senado não apoiariam oficialmente a CPI, às 15h30 de hoje Waldeck assinava o requerimento no plenário, constrangido pela pressão de Dutra e ACM. ‘‘Não tenho dúvida da lisura do presidente Fernando Henrique, mas acho que, neste momento, é melhor para o próprio governo que se esclareça tudo’’, disse Souto ao anunciar no fim da tarde que seguiria ACM.
Não foram as únicas baixas no PFL baiano, que elevou a temperatura na Câmara. Tanto que o líder pefelista, deputado Inocêncio Oliveira (PE), não disfarçava o nervosismo hoje. ‘‘Falei com Fernando Henrique duas vezes por telefone e disse a ele que contasse comigo e que estou fazendo o que posso; mas não posso vender ilusões’’, ponderou Inocêncio, ao salientar que o PFL hoje trabalha com uma faixa de 30 dissidentes na bancada de 100 deputados. O líder também pediu a ajuda dos três ministros do PFL, que já estariam ajudando o governo nos bastidores.
A preocupação do líder é tamanha que ele sugeriu uma reunião da executiva nacional do partido, para controlar a situação nas duas Casas. Apenas três carlistas assinaram o requerimento hoje na Câmara: os pefelistas Urcisino Queiroz, Ariston Andrade e Luiz Moreira. ‘‘Eu não trouxe minha caneta hoje’’, brincou o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), ao justificar a ausência de seu nome na lista dos apoios ao inquérito. O motivo real, que os carlistas comentam nos bastidores, é o fato de ACM ainda não ter operado na Câmara para forçar a adesão de seu grupo. ‘‘Na hora que ele fizer isto, vai todo mundo’’, aposta um dirigente nacional do PFL.

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