Oposição irá barrar compra de ações pela Copel
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Após as explicações ontem do presidente da Copel, Rubens Ghilardi, durante uma audiência pública na Assembléia Legislativa, o líder da oposição, Valdir Rossoni (PSDB), informou que não desistiu da ação contra a operação de compra das ações da Sanedo dentro do grupo Dominó. A ação (com pedido de liminar) deverá ser ingressada hoje. A argumentação principal diz respeito à necessidade, segundo a oposição, de uma autorização da Assembléia para que a Copel possa comprar as ações. Ghilardi defende que a autorização só seria de fato necessária se a Copel, com a compra das ações, se tornasse majoritária no grupo.
''Há uma divergência clara, então acho que quem deve se pronunciar agora é o Judiciário'', afirmou Rossoni. O diretor-jurídico da Copel, Zuudi Sakakihara, disse que não se trata de um ''desrespeito'' ao Legislativo. ''É apenas a nossa interpretação da lei. Enquanto a Copel permanecer minoritária não precisa da autorização'', enfatizou ele. A Copel, que hoje possui 15% das ações dentro da Dominó, ficaria com um total de 45% das ações se concluísse a compra da parte da Sanedo no grupo.
Hoje termina o prazo para que os demais integrantes da Dominó (Andrade Gutierrez e Daleth) se manifestem sobre as ações oferecidas pela Sanedo. Assim como a Copel, a Andrade Gutierrez e a Daleth têm, legalmente, o direito da preferência na compra das ações.
Sobre o fato da Copel continuar minoritária se o negócio for concluído, outra suposta irregularidade levantada pela oposição, Ghilardi disse que sua assessoria jurídica também tem outra interpretação da lei e enfatizou que, com 45% das ações, a companhia passa a ter poder de veto nas decisões do grupo. Atualmente, com 15% da ações, a Copel não tem direito a voz, nem a voto. A oposição alega que a lei 14.286, de 2004, determina que uma operação do tipo só seria possível se a Copel, a partir daí, se tornasse majoritária no grupo.
O presidente da Copel também confirmou a intenção do Estado em adquirir todas as ações do grupo, conforme adiantou anteontem o líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB). Ghilardi, entretanto, preferiu ser cuidadoso ao tratar do tema. ''A Copel é uma provável compradora e estamos conversando sim com a Daleth e com a Andrade Gutierrez, mas não podemos divulgar nada''. Uma carta na qual formalizava o interesse da Copel chegou a ser enviada aos demais integrantes da Dominó.
Apesar de o presidente da Copel argumentar que se trata de um ''bom negócio'' aos cofres públicos, um dos advogados da oposição no caso, Gustavo Guedes, sugere que o valor da venda é alto. Em junho, a Sanedo ofereceu suas ações a todos os integrantes da Dominó por 42 milhões de euros (o equivalente a R$ 110.140.000,00), mas, depois da Copel confirmar sua intenção de compra, Guedes destaca que a Sanedo incluiu no valor inicial de venda 578 mil euros, referente ao saldo de caixa da Sanedo na Dominó. ''Antes pouco importava o saldo de caixa'', comentou ele.
Ghilardi disse que a Copel questionou o valor apresentado pela Sanedo e conseguiu reduzir a quantia para 425.123 euros - valor do saldo de caixa do dia 11 de setembro. O presidente da Copel garante que ''em termos de mercado'' a compra é vantajosa à companhia. Em relação ao fluxo de caixa, o negócio representaria uma TIR (Taxa Interna de Retorno) líquida de 9,5%, segundo ele.


