Brasília - O depoimento de oito horas do ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara não diminuiu a disposição da oposição de derrubar mais um ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), ingressou com representação uma na Comissão de Ética Pública contra Bastos em que pede a demissão do ministro.
  Maia acusa Thomaz Bastos de ter oferecido ‘‘serviço jurídico especializado’’ para que o ex-ministro Antonio Palocci ‘‘enfrentasse adequadamente’’ a denúncia de que mandou violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. ‘‘Está claro que o ministro atuou como advogado do governo no caso de Francenildo’’, disse Maia.
  O líder do PSDB na Câmara, deputado Jutahy Magalhães
(PSDB-BA), por sua vez, disse que Bastos já não tem condições de permanecer no cargo. ‘‘O ministro perdeu a confiança da sociedade, cometeu um crime de Estado e não tem mais condições de continuar no cargo’’, disse. ‘‘O ministro está sob suspeita do pais inteiro.’’
  Jutahy contesta a declaração de Bastos de que a investigação da Polícia Federal não considerou o pedido feito por Palocci ao secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg. ‘‘O primeiro item (do inquérito da PF) era para investigar o crime de lavagem de dinheiro, era para investigar o caseiro e não a quebra do sigilo.’’
  Apesar dos ataques da oposição, os governistas acreditam que Bastos se saiu bem e conseguiu ‘‘apagar o incêndio’’. Para eles, Bastos usou bem a arte da retórica e defendeu com clareza sua isenção no caso e o governo Lula.
  Para a CCJ, Bastos disse que a Polícia Federal ajudou a desvendar a ‘‘cadeia criminosa’’ que violou o sigilo bancário de Francenildo. Para a PF, o ex-ministro foi o mandante da quebra do sigilo e a ordem que foi executada pelo ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso. ‘‘O que fizeram (a PF), por determinação expressa do presidente (Lula) e minha, foi investigar, desvendar essa cadeia que hoje se aponta criminosa’’, disse Bastos.
  Ele descartou a possibilidade da investigação da PF ter sofrido qualquer tipo de ingerência política. ‘‘A PF decifrou cadeia causal no prazo de uma semana. E demonstrou o respeito ao cidadão humilde e que não é porque está enfrentando o todo poderoso (Antonio) Palocci.’’ No início do depoimento, Bastos disse que não ‘‘maculou o seu cargo’’ nem se deixou ‘‘perder nos caminhos da ilegalidade’’ no episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro. ‘‘Quem está aqui é um ministro que não maculou o seu mandato, as suas obrigações, que não se deixou perder nos caminhos da ilegalidade. Tudo o que fiz nessa crise foi absolutamente dentro das minhas atribuições estritas de ministro da Justiça.’’
  Reportagem da ‘‘Veja’’ acusa Bastos de ter se reunido com Palocci no dia 23 de março para intermediar uma reunião entre Palocci e o advogado Arnaldo Malheiros. O objetivo seria articular uma estratégia para encobrir a responsabilidade do ex-ministro no episódio.
  O nome de Bastos foi envolvido no episódio de quebra do sigilo bancário após a confirmação da presença do Secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, na casa do ex-ministro Antonio Palocci na noite do dia 16 de março. O ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso disse ter entregue neste dia o extrato bancário para Palocci. No dia seguinte, os dados da movimentação bancária de Francenildo foram publicados pelo blog da revista ‘‘Época’’.

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