Os líderes da oposição na Câmara e no Senado decidiram unir forças na coleta das assinaturas que faltam para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista destinada a investigar denúncias de corrupção nos três Poderes. A operação foi combinada ontem, em uma reunião de mais de duas horas entre o PT, o PC do B, o PDT, o PSB e o PPS. A oposição tem a difícil tarefa de conseguir mais oito votos para completar os 27 necessários no Senado e de outros 62 votos na Câmara para alcançar 171.
O líder do PT na Câmara, deputado Walter Pinheiro (BA), propôs ontem que seja usado o texto original de pedido de CPI, apresentando em julho do ano passado e para o qual já foram obtidas 109 assinaturas na Câmara e 19 no senado. ‘‘O texto não é o mais importante. O que interessa é concentrar forças na coleta de assinaturas’’, sustentou Pinheiro.
Ele ressaltou que poderá haver ajustamentos caso seja necessário. ‘‘Se precisar de ajuste no texto, isso não quebrará a unidade’’, afirmou Pinheiro. ‘‘A CPI vai discutir todas as denúncias veiculadas de corrupção’’, disse ele, para quem outras CPIs foram instaladas com o objetivo específico e acabaram sendo ampliadas no decorrer dos trabalhos.
O texto original do requerimento pede a apuração de responsabilidade de autoridades federais dos três Poderes nas dotações orçamentárias, liberações e desvios de recursos públicos na construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo e da suposta participação do ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira na intermediação de interesses privados. Pede investigação também em casos de malversação de recursos públicos.
O líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE), acha que é preciso mudar o teor do texto, para torná-lo mais amplo. ‘‘O texto original não atraiu a assinatura de bases governistas’’, lembrou Dutra, salientando que emitia uma opinião pessoal e não a do partido. Uma eventual mudança no requerimento atenderia diretamente ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que já se declarou favorável a um leque maior de investigações. Há entre a oposição, no entanto, dúvidas de que os carlistas venham a assinar o requerimento da CPI.
Assim como o líder do PT no Senado, o líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES), disse que o partido continua defendendo a amplitude do texto. ‘‘O caso de Eduardo Jorge já está sendo investigado pelo Ministério Público. Há outros escândalos a serem apurados.’’ O que ficou definido ontem foi a missão de cada um dos deputados de oposição de visitar os gabinetes de parlamentares em busca de assinaturas. ‘‘Vamos em todos os partidos’’, anunciou Walter Pinheiro.
Na quarta-feira, uma nova reunião vai avaliar os primeiros dias de esforço concentrado dos partidos oposicionistas. Para chamar a atenção da sociedade, o grupo anunciou que vai procurar entidades para pedir apoio, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). ‘‘O Congresso não pode cometer o crime de jogar debaixo do tapete toda a lama jogada aqui no Congresso’’, afirmou o líder do PT na Câmara.

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