São Paulo - Na tentativa de manter o desgaste causado ao governo pelo caso Waldomiro Diniz, os partidos de oposição no Senado indicam hoje seus integrantes na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e intensificam a cobrança aos líderes dos partidos aliados do Planalto e ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para que sejam designados os representantes governistas.
Sarney reafirmou ontem que não fará as indicações em lugar dos líderes governistas. Segundo ele, a oposição busca responsabilizá-lo, mas não há amparo regimental para essa reivindicação. ''Não posso indicar. Não há precedente. Pelo Regimento do Senado cabe ao presidente da Casa designar os representantes da CPI indicados pelos líderes. O regimento não prevê que o presidente indique se os líderes decidirem não fazê-lo'', disse.
Sem a indicação dos representantes (nove de partidos governistas e seis de oposicionistas), a CPI não funciona, embora o requerimento pela sua criação tenha sido apresentado à Mesa Diretora do Senado com 35 assinaturas, sete a mais do que o número exigido.
Ontem o senador Geraldo Mesquita (PSB-AC), cujo partido integra a base aliada do Planalto, subiu à tribuna e pediu que Sarney o indicasse membro da CPI. Para evitar constrangimentos ao partido, anunciou a disposição de deixar a legenda.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), afirmou que a oposição irá iniciar uma ''batalha regimental'' para tentar convencer Sarney de que sua interpretação está ''errada''. A oposição admite apresentar recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o funcionamento da CPI. Para Virgílio, como o Regimento do Senado é omisso quanto à possibilidade de não indicação pelos líderes, deve ser seguido o regimento comum às duas Casas, que transfere essa tarefa para o presidente.
O presidente do Senado rebateu esse argumento e disse que essa regra vale para as comissões mistas encarregadas de examinar medidas provisórias e o Orçamento da União. ''No caso de CPIs, o Regimento do Senado não é omisso'', afirmou.
Por isso, a oposição acusa o governo e Sarney de usurpação do direito da minoria de criar uma CPI, desde que obtido o número exigido de assinaturas (um terço dos integrantes da Casa). ''Sempre se reconheceu que a minoria tem o direito de criar uma CPI, mas os líderes governistas iam embromando e não faziam as indicações, quando queriam evitá-la. Agora, se diz claramente que a minoria não tem esse direito. Isso deixa a minoria desarmada. Por esse recurso, a CPI só é criada se a maioria quiser'', afirmou o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
O pedido da comissão prevê investigação de irregularidades em bingos, mas a oposição pretende incluir o caso Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil filmado pedindo, em 2002, propina ao empresário do ramo de loterias Carlinhos Cachoeira para si próprio e para - supostamente - financiamento de campanha eleitoral.

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