Oposição garante assinaturas
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quarta-feira, 25 de abril de 2001
Liege Albuquerque e Nelson Breve Agência EstadoDe Brasília 
Deputados de oposição anunciaram ontem que haviam conseguido as 171 assinaturas necessárias na Câmara para a criação da CPI mista da Corrupção. Conseguimos os apoios rechaçando o jogo duro contrário do governo federal, comemorou o líder do PT, deputado Walter Pinheiro (BA). Ainda ontem, contudo, o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE) declarou que tinha dez cartas de deputados da base aliada desistindo do apoio à CPI.
Pinheiro iria se reunir à noite com o líder da oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE), para decidirem se protocolavam o requerimento imediatamente ou se tentariam reunir mais assinaturas como margem de segurança. Até por conta desses anúncios de que o governo teria cartas com desistências, a tendência é que continuemos mais uma semana na busca de apoios, afirmou Pinheiro. Ontem à tarde, Pinheiro anunciou a assinatura de mais dois nomes do PMDB no requerimento da CPI, dos deputados Geovan Freitas e Euler Morais, ambos de Goiás.
De acordo com Inocêncio, apesar da oposição não querer admitir, pelo menos dez integrantes da base governista, já retiraram suas assinaturas do requerimento. O líder Geddel (Vieira Lima) tem uma relação com seis deputados que se arrependeram, disse.
Dois deputados do PMDB de Tocantins, Igor Avelino e Oswaldo Reis, declararam-se constrangidos por terem sido chamados ao Palácio do Planalto, por integrantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, para tentar reverter seus apoios à CPI. Nossa assinatura foi ideológica, não vamos voltar atrás, afirmaram em uníssono os parlamentares pemedebistas, segundo suas narrativas. Temos vários pleitos de Tocantins, mas o governo nunca nos chama para conversar, reclamou Avelino.
O secretário de Assuntos Federativos da Presidência, João Faustino, confirmou que recebeu os deputados no Planalto e que tentou convencê-los a retirarem as assinaturas do requerimento de criação da CPI. Faustino destacou, contudo, que admitia não ter poder de convencimento. Dos mais de dez parlamentares que tentei convencer a não assinar ou retirar assinatura dessa CPI, não tive sucesso com nenhum, lamentou Faustino, garantindo que jamais usou qualquer tipo de barganha.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Aloysio Nunes, também confirmou que recebeu os deputados, na noite de segunda-feira. É obrigação de qualquer membro do governo tentar argumentar para que os deputados não assinem uma CPI sem sentido, disse, por meio de sua assessoria de imprensa. Segundo o ministro, o argumento usado por ele e por Faustino foram os mesmos: de que uma CPI que engloba cerca de 20 casos poderia paralisar o trabalho de pelo menos o mesmo número de órgãos públicos.


