Deputados de oposição anunciaram ontem que haviam conseguido as 171 assinaturas necessárias na Câmara para a criação da CPI mista da Corrupção. ‘‘Conseguimos os apoios rechaçando o jogo duro contrário do governo federal’’, comemorou o líder do PT, deputado Walter Pinheiro (BA). Ainda ontem, contudo, o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE) declarou que tinha dez cartas de deputados da base aliada desistindo do apoio à CPI.
Pinheiro iria se reunir à noite com o líder da oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE), para decidirem se protocolavam o requerimento imediatamente ou se tentariam reunir mais assinaturas como ‘‘margem de segurança’’. ‘‘Até por conta desses anúncios de que o governo teria cartas com desistências, a tendência é que continuemos mais uma semana na busca de apoios’’, afirmou Pinheiro. Ontem à tarde, Pinheiro anunciou a assinatura de mais dois nomes do PMDB no requerimento da CPI, dos deputados Geovan Freitas e Euler Morais, ambos de Goiás.
De acordo com Inocêncio, ‘‘apesar da oposição não querer admitir’’, pelo menos dez integrantes da base governista, já retiraram suas assinaturas do requerimento. ‘‘O líder Geddel (Vieira Lima) tem uma relação com seis deputados que se arrependeram’’, disse.
Dois deputados do PMDB de Tocantins, Igor Avelino e Oswaldo Reis, declararam-se constrangidos por terem sido chamados ao Palácio do Planalto, por integrantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, para tentar reverter seus apoios à CPI. ‘‘Nossa assinatura foi ideológica, não vamos voltar atrás’’, afirmaram em uníssono os parlamentares pemedebistas, segundo suas narrativas. ‘‘Temos vários pleitos de Tocantins, mas o governo nunca nos chama para conversar’’, reclamou Avelino.
O secretário de Assuntos Federativos da Presidência, João Faustino, confirmou que recebeu os deputados no Planalto e que tentou convencê-los a retirarem as assinaturas do requerimento de criação da CPI. Faustino destacou, contudo, que admitia não ter ‘‘poder de convencimento’’. ‘‘Dos mais de dez parlamentares que tentei convencer a não assinar ou retirar assinatura dessa CPI, não tive sucesso com nenhum’’, lamentou Faustino, garantindo que ‘‘jamais’’ usou qualquer tipo de barganha.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Aloysio Nunes, também confirmou que recebeu os deputados, na noite de segunda-feira. ‘‘É obrigação de qualquer membro do governo tentar argumentar para que os deputados não assinem uma CPI sem sentido’’, disse, por meio de sua assessoria de imprensa. Segundo o ministro, o argumento usado por ele e por Faustino foram os mesmos: de que uma CPI que engloba cerca de 20 casos poderia ‘‘paralisar’’ o trabalho de pelo menos o mesmo número de órgãos públicos.

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