Oposição ganha força com equívocos do poder
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sábado, 05 de julho de 2003
Agência Estado 
São Paulo A oposição voltou ao mapa da política nacional. Menos por seus méritos do que pelos erros do governo. Depois de passar seis meses perdendo a agenda reformista, a batalha pela opinião pública e alguns parlamentares para o governo, o PSDB e o PFL ressurgiram com força na semana passada. Tucanos e pefelistas não perderam tempo e, em menos de 24 horas, conseguiram criar no Senado uma CPI para investigar o MST.
Os próprios oposicionistas, porém, reconhecem que as causas do fenômenos estão mais no governo do que na oposição. ''As crises não vão para o palácio. Elas vêm de dentro do palácio'', ressalta o líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia (BA). ''E é claro que os equívocos do governo sempre favorecem a oposição.'' Também para o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), a oposição está mais forte graças ao governo. ''Não é que a oposição viva um grande momento'', anota Agripino. ''Começamos a crescer porque o governo vem acumulando erros, mostrando contradições e se desgastando cada vez mais.''
Muralha Seja como for, o certo é que os oposicionistas já não precisam mais fazer grandes esforços de retórica para enfrentar o governo. ''No início imaginávamos que seria muito difícil fazer oposição contra um governo eleito com mais de 60% dos votos'', lembra Agripino. ''Mas hoje só precisamos apontar as contradições do governo.'' Também para Aleluia, a tarefa da oposição está mais fácil. ''Não é que estejamos bombardeando a muralha, mas apenas aproveitando os buracos que o próprio governo faz para atacar.'', compara Aleluia.
E uma dessas brechas, avalia Agripino, é o descontentamento que o governo tem provocado em setores importantes da opinião pública, como servidores públicos, magistrados, desempregados e profissionais liberais. ''Todos votaram em Lula com uma expectativa que não está se concretizando'', analisa Agripino. ''Servidores e magistrados apostavam em outra reforma, desempregados queriam os 10 milhões de empregos e ganharam mais 600 mil colegas e os profissionais liberais imaginavam uma reforma sem CPMF eterna ou aumento de carga.''
E o maior reflexo disso, continua Agripino, é a primeira queda de popularidade do governo nas pesquisas. Para o senador, é o primeiro sinal de frustração da população. Ele cita os problemas do programa Fome Zero, o aumento menor para o salário mínimo, o reajuste de 1% para o funcionalismo, os protestos dos servidores contra a reforma, a fila de 100 mil desempregados na briga por um posto de gari no Rio, a incontinência verbal do presidente contra os outros Poderes e o que considera a perda de controle do governo em relação ao MST. E o boné do MST acabou sendo o símbolo dessa ''virada'' da oposição. No dia seguinte, Aleluia foi à tribuna exibir a foto de Lula com o adereço do MST.
''Na hora em que o presidente usa o boné de um movimento de bandoleiros sociais, tínhamos de denunciar, senão estaríamos sendo irresponsáveis'', justificou o pefelista.


