Oposição ganha apoio do PTB para CPI
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terça-feira, 24 de novembro de 1998
Agência Estado 
A demissão do ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, acabou enfraquecendo o PSDB dentro da composição de forças do governo. Desde a semana passada os tucanos travavam uma queda de braço com o PFL e o PMDB pela manutenção de Mendonça de Barros no cargo. Com a saída de Barros, a oposição chegou a acreditar que a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o suposto favorecimentos no leilão das teles estaria comprometida. Mas, ainda no domingo, o presidente nacional do PTB, senador José Eduardo Andrade Vieira, se posicionou favorável a realização desta CPI.
O PFL foi o primeiro a tentar abafar a idéia da CPI. O líder do partido, senador Hugo Napoleão (PI), começou a ligar para todos os senadores do partido para dar o caso como encerrado. Ele chegou a cancelar uma reunião da bancada que estava marcada para hoje e que iria avaliar o assunto. Este é um assunto vencido para o PFL já que o ministro pediu demissão, comentou o senador Edson Lobão (PFL-MA). O assunto também perdeu força no PMDB.
Anteontem, o senador José Eduardo Andrade Vieira anunciou que é favorável à criação da CPI, que tinha apenas 16 assinaturas - 11 a menos do que o necessário. Para Andrade Vieira, a gota dágua foi a questão do meteórico sucesso da Corretora Link, de propriedade dos filhos de Mendonça de Barros. Não há como essa empresa crescer tanto em apenas quatro meses se não for com informações privilegiadas, disse o senador.
O líder do PT no senador, Eduardo Suplicy (SP), insistia no recolhimento de assinaturas para a CPI. Faço isto para o bem do próprio governo, argumentou. Suplicy também quer que o ministro Mendonça de Barros retorne ao Congresso para que possa retificar parte do depoimento. Segundo o senador, Mendonça de Barros faltou com a verdade quando questionado sobre o que seria na conversa telefônica gravada o código acionar a bomba atômica. Pela publicação na íntegra da revista Época a bomba atômica seria mesmo o presidente Fernando Henrique.


