Os partidos de oposição formalizam na próxima quarta-feira, junto à Mesa Diretora do Congresso, o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ampla para apurar corrupção no País. Reunidos ontem à tarde, os líderes de oposição na Câmara e no Senado decidiram aproveitar a manifestação pública pró-CPI, que mobilizará várias entidades da sociedade civil no dia 9.
A idéia é dar ‘‘um reforço popular’’ à iniciativa dos políticos, que hoje conta com o apoio de 27 senadores e 192 deputados, 21 a mais que o mínimo exigido pelas normas regimentais. ‘‘Queremos mostrar que qualquer ação do governo, no sentido de usar questões regimentais para barrar a CPI vai esbarrar na vontade da maioria’’, diz o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA). ‘‘Sabemos que o governo reagirá e já estamos nos preparando para a batalha jurídica e regimental que vem a풒, completa o líder petista no Senado, José Eduardo Dutra (SE).
O adiamento da apresentação do pedido de investigação por mais uma semana tem uma serventia a mais – de pôr fim ao racha das esquerdas quanto ao ‘‘timing’’ da instalação do inquérito. Nos debates de bastidores, a oposição estava dividida entre os que queriam tocar, ao mesmo tempo, a CPI da Corrupção, que pode implicar Jader Barbalho (PA), e o processo contra o senador Antonio Carlos Magalhães no Conselho de Ética do Senado, e aqueles que julgavam a simultaneidade inconveniente. A inconveniência neste último caso era a de favorecer um ‘‘acordão’’ entre os dois cardeais da base aliada, desmontando a CPI.
O ato público da semana que vem ainda esta sendo organizado, mas os parlamentares contam desde já com a participação de diversas entidades. Até lá, os líderes de esquerda esperam obter mais adesões ao requerimento. Eles já consideram que as duas dezenas de assinaturas a mais na Câmara representam uma boa margem de segurança para neutralizar a investida do Palácio do Planalto, retirando assinaturas.

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