Oposição força Copel desistir de consórcios
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quarta-feira, 10 de novembro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Copel só terá autorização da Assembléia Legislativa para participar de um dos três consórcios para construção e gerenciamento de linhas de energia na bacia do Iguaçu idealizados originariamente pelo governo do Estado. Ontem, novas denúncias de irregularidades na mensagem enviada pelo governador Roberto Requião (PMDB) à Assembléia forçaram a bancada do governo a desistir da participação no consórcio Artemis. Na segunda-feira o governo já havia sido forçado a abrir mão da participação no consórcio Uirapuru.
Os ataques da bancada de oposição à mensagem começaram devido ao fato de que a participação da Copel nos dois consórcios era minoritária, contrariando uma lei assinada por Requião este ano que prevê que a Copel deva ter mais da metade das ações em todas as suas parcerias. Nos dois empreendimentos a Copel seria sócia da estatal federal Eletrosul, da empresa espanhola Cymi e da catarinense Santa Rita.
Como a Copel só tinha 5% das ações do consórcio Uirapuru, a bancada do governo já havia desistido do projeto. Mas no Artemis o governo alegava que tanto a Copel como a Eletrosul teriam 31,66% das ações, o que colocaria o poder público como majoritário no empreendimento.
O presidente da Copel, Paulo Pimentel, chegou a ir à Assembléia ontem para tentar convencer os deputados da validade do consórcio Artemis, mas foi forçado a recuar. O deputado estadual Neivo Beraldin (PDT) apresentou um documento da Junta Comercial de Santa Catarina mostrando que a empresa Artemis já apresentava títulos protestados e uma dívida de R$ 90 milhões. O pedetista questionou também o fato da empresa ter um capital social de apenas R$ 1 mil, embora tenha como previsão de investimentos um total de R$ 246,2 milhões em dois anos.
Outro fato levantado foi que a Copel não participou da licitação de 2003 vencida pelo consórcio Artemis para construir as linhas de energia ligando Salto Santiago, Ivaiporã e Cascavel. ''O governo enviou uma mensagem tentando iludir os parlamentares, como se o leilão já tivesse sido ganho pela Copel. Nos outros dois consórcios, realmente, a Copel venceu o leilão. Agora, o que o governo tentou foi fazer com que o Legislativo passasse um atestado de legalidade para a compra de 31,66% do capital desse consórcio Artemis'', criticou o líder da oposição, Durval Amaral (PFL).
A artilharia da oposição forçou o líder do governo Natálio Stica (PT) a fechar um acordo para liberar a aprovação apenas do consórcio Gralha Azul, onde a Copel tem 80% das ações e a Eletrosul 20%. ''O governador reconheceu que errou e desistiu do Artemis, o que é um gesto de grandeza. De fato, houve um erro na avaliação ou da Copel ou do governo'' reconheceu Stica.


