A reunião dos governadores de oposição, que acontecerá amanhã em Belo Horizonte, deve se transformar em um grande manifesto contra a condução da política econômica do governo federal.
A idéia é aproveitar o momento sensível para responsabilizar o presidente Fernando Henrique Cardoso pela atual crise da moeda, que levou o governo a mudar a política cambial, abrindo caminho para a desvalorização do real. ‘‘Até o momento, o debate sobre a economia foi monetarista. Mas existe uma crise social latente no Brasil, cuja principal face é o desemprego. É esse o recado que queremos passar ao presidente’’, afirma o líder do PT na Câmara, deputado Marcelo Déda (SE), que participará da reunião. Recepcionados pelo governador Itamar Franco (PMDB), apontado pelos tucanos como um dos responsáveis pelo agravamento da crise econômica, seis governadores de oposição estarão na capital mineira para discutir as dívidas estaduais.
No final da reunião, que deve começar às 15h, os governadores vão divulgar um documento com propostas para renegociação das dívidas dos Estados. A intenção é terminar o encontro com um discurso unificado. Não existe, porém, a pretensão de adotar um único instrumento de pressão contra o governo federal.
Os articuladores do encontro querem, com a reunião, forçar o presidente a receber o bloco de governadores de oposição, incluindo Itamar, para abrir um canal de negociação política.
Se a esquerda conseguir agendar um encontro de todos os governadores de oposição com o presidente, pode solucionar o impasse criado com a decisão do governador mineiro de decretar moratória.
A atitude de Itamar irritou o presidente. FHC tem dito a interlocutores que não tem nenhuma vontade de receber o ex-presidente para discutir a renegociação da dívida mineira. Ele só toparia um encontro com o governador se a iniciativa partisse de Itamar. Por sua vez, o governador diz que só vai ao Palácio do Planalto se for convidado.
Senado O senador Pedro Simon (PMDB), ex-governador do Rio Grande do Sul, disse anteontem, em entrevista à Rádio Gaúcha, que vai se pronunciar terça-feira, na tribuna do Senado, pedindo que o presidente Fernando Henrique Cardoso promova uma reunião de governadores para ‘‘se sentarem à mesa e discutirem o que fazer’’. Simon disse que sente haver disposição de governadores como Olívio Dutra (PT-RS) e Anthony Garotinho (PDT-RJ) para o diálogo com FHC.
Antes do pronunciamento na tribuna do Senado, o senador gaúcho pedirá para o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB-RS), fazer um contato preliminar com o presidente, solicitando a reunião com os governadores. O pronunciamento não será feito antes, na segunda-feira, porque o senador pretende esperar passar a reunião dos governadores de oposição ao governo federal, que vai tratar, neste mesmo dia, das dívidas dos Estados com a União.
De acordo com Simon, o contato com Padilha ainda não foi possível porque ele está ‘‘em uma praia da Bahia’’ desde as 12h de anteontem. Ao falar sobre o descanso do ministro, Simon aproveitou para criticar o descanso de FHC. ‘‘Aquelas férias do Fernando Henrique são uma piada’’, disse.

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