Brasília - Na tentativa de evitar a obstrução dos partidos de oposição às votações no Senado, a base aliada do governo decidiu ontem atender a reivindicações do DEM e PSDB para a retomada do diálogo na Casa. Os dois partidos se comprometeram em obstruir apenas a votação de medidas provisórias que liberam créditos extraordinários para o governo, enquanto a base aliada prometeu acatar o rodízio entre os partidos na relatoria das MPs que chegam ao Senado.
O PSDB havia anunciado a obstrução a todas as votações na Casa, mas voltou atrás depois que o governo demonstrou ontem a disposição em acatar parte dos pedidos dos oposicionistas. ''Eu não quero destruir o Congresso. Na medida que atendem às minhas reivindicações, eu avanço'', disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Apesar do recuo na obstrução total aos trabalhos do Senado, o tucano manteve ontem a promessa de não participar de reuniões de líderes partidárias no gabinete do presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN). O tucano se irritou com Garibaldi durante a votação da medida provisória da TV Pública, há duas semanas, em que os governistas retiraram outra MP de pauta para abrir caminho à aprovação da TV.
Desde então, governo e oposição haviam rompido o diálogo no Senado, que acabou retomado ontem durante reunião de Garibaldi com os líderes - sem a presença de Virgílio. ''Aceito a partir de agora, com a reabertura do diálogo, conversar em qualquer gabinete'', disse o líder do PSDB depois de ter parte de seus pedidos atendidos.
O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), negou que a oposição tenha recuado na disposição de enfrentar o governo na Casa.
Rodízio
Os senadores decidiram acatar a sugestão do DEM e PSDB para impor a regra do rodízio na relatoria das MPs. A oposição defende que, em cada nove MPs encaminhadas à Casa Legislativa, três sejam relatadas por senadores do DEM ou PSDB, duas pelo PMDB, duas pelo bloco de apoio do governo federal, uma pelo PDT e outra pelo PTB.

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