O depoimento do ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, apontando as campanhas do governador Jaime Lerner (PFL) e do senador Alvaro Dias (PSDB) como beneficiárias do esquema de desvio de dinheiro público deve dar o tom das discussões dos deputados que retornam ao trabalho amanhã, depois de um feriado prolongado de Carnaval. A oposição promete uma ofensiva contra o governo. Na terça-feira, a bancada se reúne para discutir a melhor estratégia de tirar dividendos políticos do depoimento de Paolicchi, prestado na semana passada à Justiça Federal. Paolicchi é acusado de comandar esquema que pode ter desviado mais de R$ 100 milhões dos cofres públicos.
A oposição discute três alternativas: uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as acusações de Paolicchi, que respingam ainda em outros políticos da região; a apresentação de um requerimento pedindo o impeachment do governador; e ainda a criação de uma comissão especial suprapartidária para dar suporte às investigações do Ministério Público (MP).
A instalação de uma CPI e o impeachment são considerados, por setores da própria oposição, medidas de difícil execução, já que a maioria dos 54 deputados é governista. A comissão suprapartidária é vista como mais viável sob o ponto de vista político. ‘‘Queremos esgotar este assunto, por considerarmos as declarações de Paolicchi bastante graves’’, disse ontem o líder da bancada da oposição, deputado Orlando Pessuti (PMDB), que vai conduzir a reunião de terça-feira, marcada para as 16 horas, na Assembléia.
Pessuti está confiante na adesão integral do PSDB, mesmo tendo noção que a fala de Paolicchi deixou o senador Alvaro Dias em condição tão desconfortável quanto o governador Jaime Lerner. ‘‘O PSDB tem interesse em esclarecer isso e já temos um sinal do senador Osmar Dias (irmão de Alvaro) para tocarmos o processo’’, afirmou. Pessuti aguarda reunião convocada pelo líder do PSDB na Casa, Sérgio Spada, para intensificar o namoro com os tucanos.
A adesão do PSDB é fundamental para o projeto tomar corpo. Com os tucanos realinhados, a oposição pode chegar a 19 parlamentares. Para a reunião desta terça-feira, Pessuti está pedindo aos políticos do PMDB da região de Maringá que tragam informações complementares que possam engrossar as declarações de Paolicchi referentes a Lerner.
Para neutralizar a estratégia da oposição, a base alinhada de Lerner já está em campo. Hoje, o secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, tem encontro marcado com o líder do governo, Durval Amaral (PFL). Alceni disse que a melhor saída é não fomentar o discurso dos adversários e deixar que o caso Paolicchi corra somente na esfera judicial. ‘‘A orientação é do próprio governador. Não fazer marola política de um assunto que está na esfera policial.’’
Alceni passou os últimos dias em contato direto com os deputados, sobretudo os que vivem ameaçando rompimento. O chefe da Casa Civil não confirma, mas a aproximação teria como objetivo principal manter a base aliada coesa e imune ao discurso da oposição. Nas conversas que manteve com alguns aliados tocou em questões como pendências orçamentárias e indicações para chefias de núcleos de ensino no interior.

mockup