Oposição está de olho nos infiéis
Arquivo FolhaRequião: operação sola de sapatoA campanha do candidato das oposições ao governo, senador Roberto Requião (PMDB), está de olho nos candidatos e prefeitos dos partidos coligados - PMDB-PT-PDT-PC do B - que não estão trabalhando na campanha. O principal foco de infidelidade na oposição são prefeitos do PMDB e PDT que resistem em apoiar Requião, e os candidatos proporcionais do PMDB que não entraram de cabeça na campanha do candidato ao Senado, Nedson Micheleti, por ele ser do PT.
O staff de Requião tenta driblar as arestas internas fazendo campanha ostensiva em defesa do senador. Hoje, a partir das 20 horas, na Sociedade Vasco da Gama, os requianistas promovem um evento chamado Mutirão da Vitória, que já ficou conhecido por Operação sola de sapato. O comitê quer massificar o material de campanha de Requião na Região Metropolitana de Curitiba, onde concentra a sua base eleitoral e a de seu adversário, o governador Jaime Lerner (PFL).
Militantes dos partidos coligados pretendem despejar cerca de 500 mil exemplares do jornal de campanha Povo de Novo, uma crítica à administração Lerner em setores públicos tidos como prioritários pela oposição: Copel, Sanepar e Banestado. Empresas que foram modelo para o Brasil não podem ser dilapidadas, diz Requião no informativo.
Lerner A coordenação política de campanha de Lerner também vai exigir mais fidelidade dos candidatos proporcionais (a deputado federal e estadual). O anúncio foi feito ontem pelo novo coordenador político de Lerner, o ex-secretário chefe da Casa Civil Cândido Martins de Oliveira, a pedido do próprio governador. A sete semanas da eleição, o staff de Lerner detectou que inúmeros candidatos aliados fazem campanha pelo Estado de forma independente, sem vincular suas candidaturas e plataformas à reeleição do governador.
O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PFL) foi o primeiro a ser advertido. Lerner ligou para Greca pedindo a ele que se empenhe mais na campanha majoritária e que o seu material de campanha passe a adotar a candidatura do governador. Greca entendeu a mensagem e ontem mesmo já participou de uma reunião entre Lerner e secretários de Estado. A assessoria informou que a primeira leva do material de campanha foi doação e que nunca houve intenção em desvincular sua imagem da de Lerner.
O deputado federal Abelardo Lupion (PFL), candidato à reeleição, deve ser o próximo a ser chamado. Fiel-escudeiro de Lerner, o deputado foi pressionado pela União Democrática Ruralista (UDR) a não fazer qualquer menção, no seu material de campanha, à releeição do governador. A política fundiária adotada pelo governo com os ruralistas já foi motivo para um manifesto da entidade, que não pretende apoiar nenhum dos quatro postulantes ao Palácio Iguaçu.
Para Oliveira, o momento é de unificar o discurso, exteriorizar a personalidade do governador e corrigir desencontros. Precisamos criar um exército, disse. (L.D)





