BRASÍLIA - Os partidos de oposição entregaram ontem ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a compra de votos pró-reeleição. O pedido tem 217 assinaturas, 46 a mais do que as 171 necessárias para requerer uma CPI. O número, porém, não garante o funcionamento da comissão de inquérito. É preciso arregimentar 257 votos no plenário, única forma de garantir a urgência urgentíssima do projeto de resolução. As oposições têm apenas 94 votos que, somados aos do PSB, podem chegar a 104. Será preciso, então, a colaboração dos partidos da base do governo.
As 217 assinaturas obtidas pelos partidos de oposição para o requerimento em favor da CPI incluem 39 nomes do PPB, 36 do PMDB, 15 do PFL, 13 do PSDB e 13 do PTB, partidos que formam a base de sustentação do governo. Há uma recomendação dos líderes destes partidos para que seus deputados retirem as assinaturas e neguem apoio à comissão de inquérito. Se o governo conseguir convencer 44 a voltarem atrás entre os aliados que assinaram o documento não haverá CPI.
A ofensiva do governo contra a instalação da CPI envolve os líderes de todos os partidos da base aliada e o presidente da Câmara. Michel Temer recomendava ontem aos parlamentares que o visitavam a retirada do apoio à CPI. O argumento do presidente da Câmara: a Comissão de Constituição e Justiça é mais do que suficiente para as investigações e as punições.
Atrás dos 14 deputados de seu partido que deram a assinatura favorável à CPI, o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), argumentava que restam apenas seis meses para que as reformas sejam feitas. Uma CPI paralisaria o Congresso no mínimo por seis meses, dizia Inocêncio Oliveira. ‘‘Se criarmos uma CPI vamos ceder holofotes para que pessoas retardem toda a ação do Congresso’’, afirmou. ‘‘Temos é de fortalecer a comissão de sindicância.’’
O líder pefelista disse que a Comissão de Constituição e Justiça é o fórum adequado para a investigação e a punição aos que venderam os votos. ‘‘É lá que estão os juristas da Câmara, os juízes, os promotores e os desembargadores’’, afirmou.

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