Oposição encaminha lista de denúncias contra Petrobras
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - A oposição encaminhou ontem 18 representações à Procuradoria Geral da República (PGR) contra a Petrobras. As representações se referem a temas que, segundo senadores do DEM e PSDB, não foram investigados pela CPI do Senado que apura irregularidades na estatal. Como a oposição abandonou a CPI em represália à atuação do governo na comissão, os parlamentares decidiram encaminhar diretamente as representações para que a procuradoria investigue as denúncias.
''O procurador manifestou o desejo de instaurar procedimentos necessários para atender o nosso pleito. Ele disse que o Ministério Público vai cumprir o seu papel de investigar. Essa foi a alternativa que encontramos em função do cerceamento dos trabalhos na CPI'', disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).
Segundo o senador José Agripino Maia (DEM-RN), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sinalizou que pretende instaurar os processos para investigar as 18 acusações contra a Petrobras. ''São assuntos que, na nossa opinião, deveriam ter sido objeto da CPI e não foram porque não tiveram a menor chance de aprovação. Nesse governo, a CPI passou a ser assunto proibido'', disse Agripino.
A oposição fez uma espécie de ''relatório final paralelo'' da CPI da Petrobras no qual aponta 18 irregularidades que comprometeriam a gestão da empresa. O relatório seria apresentado à comissão no final dos seus trabalhos, mas acabou antecipado com o anúncio da debandada da CPI.
Entre as supostas irregularidades encaminhadas ao Ministério Público, está a denúncia de superfaturamento da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, por US$ 2 bilhões. Também há suspeitas de benefício irregular de empresas contratadas pela estatal, irregularidades em obras, improbidade administrativa e venda de uma refinaria à Bolívia por preço inferior ao mercado.
Uma das representações trata do preço da gasolina vendido pela estatal que, segundo a oposição, infringiu a ordem econômica nacional. Há também questionamentos sobre a prestação de contas da Petrobras e da Gaspetro, assim como o pedido para que o Ministério Público dê prosseguimento às investigações da Operação ''Águas Profundas'', da Polícia Federal, que apurou irregularidades na estatal.
Em depoimento à CPI no último dia 10, o presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, disse estar disposto a seguir as recomendações da comissão.
Segundo Gabrielli, a comissão ''cumpriu o papel'' de investigar temas ligados diretamente ao seu pedido de criação, ao contrário do que argumenta a oposição.


