Oposição encaminha denúncia contra Jader
O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), virou a bola da vez no Congresso. Apesar da hesitação do líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE), e dos rumores de um acordão com o PFL do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA), Jader está na berlinda. Em reunião conturbada do bloco de oposição ontem à tarde, os senadores do PT, PDT e PPS decidiram encaminhar denúncia contra o presidente da Casa ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado.
A denúncia que será apresentada hoje ao Conselho sugere a quebra do sigilo bancário de Jader. O objetivo é o rastreamento dos cheques que, segundo denúncia publicada pela revista IstoÉ, seriam fruto da comercialização de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) de uma fazenda que só existe no papel e teriam ido parar na conta bancária do presidente do Senado.
A proposta de denúncia contra Jader foi defendida pela senadora Heloísa Helena (PT-AL) e pelos líderes do PPS, Paulo Hartung (ES), e do PDT, Jefferson Péres (AM), mas mereceu reparos de Dutra, que posicionou-se contra qualquer iniciativa que deixasse Jader sozinho na investigação.
Diante da insistência de Dutra e do PT da Câmara de incluir o governo Fernando Henrique Cardoso nas investigações, o presidente do Senado se livrou de ser alvo específico. A CPI mista de deputados e senadores aprovada pelo bloco de oposição propõe a investigação de três temas: as TDAs de Jader, o caso das denúncias de tráfico de influência envolvendo o ex-ministro Eduardo Jorge e a operação do Banco Central para socorrer os bancos Marka e FonteCindam.
Fui voto vencido, queixou-se, irritado, Jefferson Péres. Se dependesse de mim seria uma CPI específica das TDAs. Nos bastidores, os oposicionistas mais experientes comentavam que a CPI tripla será um arremedo da CPI ampla da Corrupção, com poucas chances de sair do papel. A avaliação desses líderes é a de que Jader merece um inquérito específico. Mas Dutra fincou pé na CPI ampla para fugir dos rumores de um acordão.
Tudo o que o líder petista quer é livrar-se da reabertura do caso da violação do painel do Senado e da acusação de ter participado do episódio. A defesa firme de ACM ontem, negando sua participação, foi positiva, mas houve quem apontasse nisto o acordão conduzido por Edison Lobão (PFL-MA), para evitar que a oposição tentasse prosseguir o processo contra o ex-senador na Justiça.
Mesmo no centro de todas as conversas políticas de ontem, Jader não passou recibo. Antes mesmo de conhecer o resultado da reunião do bloco oposicionista, tratou de mandar uma carta ao corregedor do Senado, senador Romeu Tuma (PFL-SP), solicitando que a corregedoria apure a denúncia da IstoÉ. O documento foi acompanhado por uma cópia dos ofícios enviados à Diretoria-Geral do Departamento de Polícia Federal e ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, determinando providências.





