Brasília - Os partidos de oposição na Câmara PSDB, DEM e PPS ingressaram na tarde de ontem com um pedido de investigação no Conselho de Ética contra o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR) para "apuração de procedimentos incompatíveis com o decoro parlamentar".
Os partidos querem que o parlamentar explique o seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, pivô da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que apura esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões em operações suspeitas.
"Pelo exposto, pode observar-se que a cada reportagem publicada novas luzes vão sendo lançadas sobre o caso e a relação entre o deputado André Vargas e Alberto Youssef vai ganhando contornos cada vez menos republicanos", diz o documento.
Os partidos alegam ainda que a viagem no jatinho emprestado pelo doleiro já é suficiente para poder ser interpretada como "recebimento de vantagem indevida, procedimento incompatível com o decoro parlamentar".
O Conselho de Ética terá 90 dias para analisar o caso. Inicialmente, o presidente do colegiado, Ricardo Izar (PSD-SP), designará um relator para analisar o pedido de investigação. Ele elaborará um parecer preliminar pela admissibilidade do processo. Caso seja aceito, o Conselho iniciará as investigações. A oposição pede ainda que o colegiado faça uma oitiva com Youssef. Se o conselho decidir pela cassação, o processo será enviado para votação em plenário. Vargas poderá apresentar sua defesa em qualquer momento do processo.

Corregedoria da Casa
O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), encaminhou na noite de ontem o pedido protocolado pelo PSOL para que a Corregedoria da Casa investigue as denúncias envolvendo Vargas. O corregedor, deputado Átila Lins (PSD-AM), terá 45 dias para produzir um parecer sobre o caso.
No processo conduzido pela Corregedoria, Vargas terá cinco dias úteis para apresentar sua defesa. Ao final do processo, o corregedor poderá recomendar o arquivamento do caso, a cassação do mandato parlamentar, suspensão ou advertência ao deputado.
A ação da Corregedoria correrá em paralelo à representação protocolada pelos partidos de oposição no Conselho de Ética.

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