Oposição e governo se aliam para defender Lula
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segunda-feira, 10 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília - Pela primeira vez a oposição e o governo se aliaram ontem para defender o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à reportagem publicada pelo jornal norte-americano ''The New York Times'', domingo, sobre supostos excessos alcoólicos do presidente. No Senado, a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), comandou uma articulação suprapartidária de apoio a Lula, que recebeu respaldo da oposição e do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
O jornal, um dos principais dos EUA e mais influentes do mundo, publicou na edição de domingo reportagem com o título ''Hábito de bebericar do presidente vira preocupação nacional''. O texto é de Larry Rohter, um dos correspondentes do ''NYT'' no Brasil. A reportagem tentou entrar em contato com Rohter, mas a secretária do escritório do jornal no Rio disse que o jornalista está fora do Brasil. Rohter também não respondeu ao e-mail enviado.
Sarney considerou a reportagem ''preconceituosa, inverídica''. E completou: ''Chega perto da difamação. Eu acho que isso é uma coisa grave, porque não é o presidente da República que está somente em foco. Esse não é um assunto partidário, mas atinge a imagem do próprio País. Eu acredito que os americanos não são tão rigorosos como estão sendo em relação ao Brasil.''
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse que a reportagem ''não pode ter uma repercussão grande na economia porque é de grande irresponsabilidade''. Ele acusou o autor do texto, o jornalista Larry Rohter, de ter sido ''claramente, ostensivamente leviano, irresponsável''.
O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, avaliou a reportagem como ''ofensiva ao povo brasileiro''. ''Eu quase não acredito que é verdade que um jornal com a responsabilidade do 'New York Times' publique uma matéria ofensiva ao Brasil, à instituição da Presidência e, menos, ao presidente Lula, ao cidadão Luiz Inácio Lula da Silva.''
Hoje, o plenário do Senado deve aprovar um voto de censura ao jornal. ''O presidente sabe que não haverá de nossa parte o menor resvalo para baixaria, grosseria e ataque pessoal'', disse o líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), acrescentando que seu partido não ajudará a arranhar a imagem de Lula. ''Não vou ceder a vaga de líder da oposição ao jornalista Larry Rohter.'' O governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, também reagiu: ''A matéria é injusta e maldosa.''
O senador Geraldo Mesquita (PSB-AC) - que chamou os militares americanos de ''cheiradores de cocaína'' - disse que o jornalista deveria estar ocupado em comentar ''os atos bárbaros e levianos'' dos soldados americanos no Iraque. ''Não podemos permitir que uma ofensa dessa ao presidente seja banalizada'', afirmou. ''É um comentário leviano.''
Na Câmara, os líderes do PT, Arlindo Chinaglia (SP), e do governo, Professor Luizinho (SP), subiram à tribuna para dizer que não é a primeira vez que o jornal americano se vê as voltas com mentiras. ''O 'Times' acabou de passar pelo vexame internacional com o jornalista Jason Blair, que inventava matérias'', disse Luizinho.
A Advocacia Geral da União e o Ministério da Justiça se reuniram ontem para definir a reação jurídica do governo ao caso. A tendência era entrar com ação pedindo indenização por danos morais diretamente na Justiça dos EUA, caso o jornal não se retrate.


