Oposição é bomba, compara Ermírio
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terça-feira, 22 de setembro de 1998
Tânia Monteiro Agência Estado 
O presidente do Grupo Votorantin, Antônio Ermírio de Moraes, disse ontem, no programa eleitoral de televisão do PSDB, Boa Tarde Brasil, que uma eventual vitória da oposição seria uma tragédia equivalente a jogar uma bomba de hidrogênio no País. Se a oposição viesse a substituir, teria um efeito profundamente danoso, declarou, justificando que uma única bomba de hidrogênio destruiria todo o Estado de São Paulo.
Após afirmar que defende a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, com outros empresários, Ermírio elogiou o programa social do governo, liderado pela primeira-dama Ruth Cardoso. Muito embora a oposição não pense dessa maneira, é preciso destacar o trabalho do Comunidade Solidária, afirmou o empresário paulista. Para ele, este é um trabalho social que merece respeito porque não é feito na Praia de Ipanema e muito menos no Viaduto do Chá, mas nos municípios mais pobres, onde existe o mais alto grau de analfabetismo, e onde existe grande exclusão social. É a primeira vez que vejo um programa social sério, afirmou.
Ermírio pregou também a necessidade da votação das reformas este ano para proteger o País de novos ataques especulativos e de uma nova crise internacional. Segundo o empresário, se a reformas forem apressadas, os próximos quatro anos serão mais suaves. Não há mais tempo para brincadeiras ou vamos sofrer consequências de uma falta de vontade de fazer o Brasil crescer decentemente, disse, mostrando-se esperançoso de o Congresso apreciar as reformas logo após as eleições.
Sem aumento O comando da campanha de FHC avalia que um suposto aumento de impostos, se direcionado para as classes mais privilegiadas, não afetaria a imagem do presidente-candidato. Se for aumento de imposto sobre arroz ou feijão, não, mas se for sobre grandes fortunas, a população absorve bem, disse o coordenador-geral da campanha, Eduardo Jorge Caldas. Segundo ele, está fora de cogitação aumento de imposto no momento, mas este é um instrumento que não pode ser descartado em estudos sérios de um governo que quer enfrentar a crise.
Eduardo Jorge pretendeu, com esse comentário, justificar as declarações do ministro da Fazenda, Pedro Malan, que não descarta aumento de imposto como um das medidas que estão sendo estudadas dentro do ajuste fiscal. Nenhuma equipe econômica séria descartaria as armas que estão à disposição para enfrentar a crise, disse Jorge.
Para o coordenador-geral da campanha, as pesquisas reforçam a tese de que as decisões do governo não atrapalham a campanha à reeleição e a população aceita bem todas as medidas em defesa do real, inclusive aumento de imposto. Se o governo decidir um aumento de imposto sobre salários acima de R$ 200 mil, é claro que a população absorve bem, sustentou Eduardo Jorge.
Os ataques da oposição e sua estratégia de apostar na crise para tentar desestruturar a candidatura de Fernando Henrique foram um tiro no pé, segundo Eduardo Jorge. Desde que o PT trouxe a crise para a TV, nós crescemos nas pesquisas, afirmou. (Colaborou Cláudia Carneiro).


