Brasília - A mensagem em que a presidente Dilma Rousseff defende a realização de um plebiscito e sugere cinco propostas para alterar o sistema político foi entregue ontem ao Congresso, mas nem bem chegou e já foi alvo de reações até da base aliada. Sem consenso, a consulta popular sugerida por Dilma deve ser empurrada para 2014 e a tendência é que uma reforma política - tema do plebiscito -, se aprovada, só comece a valer nas eleições de 2016 ou 2018.
Partidos de oposição e aliados, como o PMDB, preferem o referendo, quando a população diz sim ou não a uma proposta.
A bancada do PMDB na Câmara se posicionou contra a realização de plebiscito. O próprio vice-presidente, Michel Temer, havia admitido a dificuldade de se cumprir o prazo de realizar a consulta e aprovar os projetos decorrentes da vontade das urnas antes de outubro deste ano para que possam vigorar em 2014.
O PSB, comandado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, provável candidato à Presidência em 2014, também se posicionou contrário à consulta plebiscitária. "É quase impossível fazer uma consulta com perguntas claras para mudanças passarem a valer já nas próximas eleições", disse o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF).
Além de tocar em pontos sensíveis, sem relação com o sistema político, como o voto secreto, parlamentares acusaram a presidente de ter consciência da inviabilidade de pôr as propostas em prática já em 2014, e tentar, assim, beneficiar só a imagem do PT. O governo trabalhava com a ideia de realizar o plebiscito no dia 7 de setembro.
Entregue na manhã ontem por Temer e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, aos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o ofício apontou cinco temas considerados "de fundamental importância" na reforma política: o financiamento de campanha, a definição do sistema eleitoral e a discussão sobre suplência de senadores, coligações partidárias e voto secreto no parlamento.
O PT ficou praticamente isolado na defesa de um plebiscito que faça a consulta sobre uma reforma política que já passe a valer para 2014. A bancada do partido fez uma reunião no início da noite e decidiu divulgar nota de apoio às propostas da presidente Dilma.

Voto secreto
Um das principais reivindicações das ruas, a inclusão do voto secreto na relação de questões a serem abordadas no plebiscito revoltou deputados da base aliada, que já tinham um acordo para levar a pauta ao plenário da Casa - semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou um projeto que abre o voto em casos de cassação de mandato. Deputados afirmaram ainda que a questão não ter relação com reforma política porque não modifica o sistema em si.
Em resposta às sugestões de Dilma, e ainda com um resquício de ressentimento pelo isolamento do Congresso no anúncio do pacto que a presidente propôs a fim de acalmar as manifestações nas ruas, os parlamentares da base têm defendido a inclusão de outros itens na consulta. Há quem fale em um questionário com até 40 perguntas, passando por pontos como o fim da reeleição e o parlamentarismo.

mockup