Oposição e aliados dividem opiniões
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domingo, 21 de agosto de 2005
Folhapress 
São Paulo - A entrevista concedida ontem pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, dividiu a opinião de integrantes dos partidos de esquerda. Para a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), o ministro deu um ''monte de desculpa esfarrapada'' para tentar se defender das acusações de Buratti. ''Para mim, é evidente que ele se relacionou com Buratti enquanto ministro e isso não tem explicação.''
A deputada disse ainda que Palocci não tem mais credibilidade para permanecer à frente da Fazenda. ''Ele deu as mesmas desculpas esfarrapadas usadas por (José) Dirceu (ex-ministro da Casa Civil). Os mesmos indícios (de corrupção) que serviram para afastar Dirceu do governo não são aplicados agora no caso de Palocci.'' Para ela, isso acontece porque Palocci é ''o fiador da política econômica do governo Lula junto às elites financeiras''. ''Ele não sai porque a elite financeira não deseja isso.''
O deputado João Batista Araújo, o Babá (PSOL-RJ), concordou com as opiniões de Luciana Genro. ''Mais uma vez a burguesia financeira tenta livrar a cara de Palocci e do presidente Lula.''
Por outro lado, o deputado Ivan Valente (PT-SP) - pertencente à Ação Popular Socialista (APS)- disse que será preciso apresentar novas provas se quiserem comprometer o nome de Palocci. ''Ficou palavra contra palavra. A palavra de Palocci contra a de Buratti. Enquanto não houver novas provas, será difícil acusar o ministro.''
Mesmo assim, ele afirma que a tranquilidade demonstrada por Palocci na entrevista reflete o apoio que o ministro recebe do setor financeiro. ''O setor financeiro tem muita empatia pelo ministro e isso ajuda na manutenção da estabilidade política.''
O líder da minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), disse que Palocci falou ''com segurança, mostrou tranquilidade e não atacou diretamente Buratti''. ''Ele (Palocci) disse o que o mercado queria saber: não vai haver alteração na política econômica. E ele continuará no ministério.''
Na avaliação de Aleluia, essas duas informações são suficientes para acalmar o mercado financeiro. ''O mercado não quer saber se as acusações são verdadeiras ou não. O mercado está preocupado com os rumos da política econômica e se ele será mantido ou não no cargo.'' Aleluia disse ainda que o presidente Lula deveria se espelhar no exemplo de Palocci ao elaborar seu plano de comunicação e gerenciamento da crise.'


