Brasília - A denúncia de que o ex-assessor especial da Secretaria Particular da Presidência da República Freud Godoy seria o suposto operador da compra de um dossiê contra tucanos mudou os ânimos na campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República. A avaliação é que o escândalo, pela proximidade com o gabinete de Lula, deve afetar a campanha do petista e pode garantir o segundo turno.
O líder do PSDB no Senado, José Agripino Maia (RN), disse que é um novo ''Waldomiro'' que surge, em referência a Freud Godoy. ''Trata-se de um assessor direto do presidente. Essa bomba cai dentro do Palácio do Planalto. Freud é uma pessoa do Gilberto Carvalho (chefe de gabinete do presidente Lula). Nós estamos com a reedição do caso Waldomiro, mas de forma mais explosiva'', disse Agripino.
Waldomiro Diniz foi flagrado cobrando propina de empresários de casas de jogos. A denúncia veio à tona quando ele era assessor do então ministro José Dirceu.
Assessor da Presidência e ex-coordenador de segurança das últimas quatro campanhas de Lula ao Planalto, Freud foi apontado pelo advogado Gedimar Passos como o responsável pela operação que resultaria no pagamento de R$ 1,7 milhão pela compra de material contra José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin. O material teria sido encomendado pelo PT de São Paulo, que nega a denúncia. A divulgação do seu nome o fez pedir demissão hoje.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que se o escândalo for ''bem-administrado'' pela oposição pode trazer ganhos para a campanha de Alckmin. ''Nós precisamos mostrar para o eleitorado que o modelo de corrupção do PT não se esgotou com as CPIs. É o modelo de corrupção implantado pelo PT, onde os fins justificam os meios'', disse.
O menos entusiasmado é o vice na chapa de Alckmin, senador José Jorge (PFL-PE). ''Não sei (se terá repercussão na campanha). Acho que, enquanto não aparecer a foto do dinheiro, não pega'', disse. Em discurso no plenário do Senado, José Jorge levantou suspeitas de que Freud também teve seu nome envolvido no escândalo do morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel.
A reportagem entrou em contato com o deputado Romeu Tuma, na época delegado do caso, e o promotor de São Paulo Roberto Wider. Ambos negaram terem ouvido citação a Freud Godoy. (Andreza Matais/Folhapress)

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