Oposição diz que aprova projeto popular
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quinta-feira, 09 de agosto de 2001
Maria Duarte<BR>De Curitiba 
Os 14 deputados de oposição ao governo Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa anunciaram ontem que a bancada já conta com os votos necessários para aprovar o projeto de iniciativa popular impedindo a venda da Copel. O porta-voz da oposição foi o peemedebista Nereu Moura, que preferiu não divulgar quantos e quem são os deputados que mudaram de posição. Segundo ele, o sigilo é para evitar o assédio do Palácio Iguaçu sobre os parlamentares. A votação está marcada para a próxima terça-feira, dia 14.
O anúncio movimentou a sede do Executivo paranaense na tarde de ontem. O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, acredita que seja um blefe. O secretário duvida que a oposição consiga maioria em plenário. Para que o projeto seja aprovado, são necessários 28 votos, caso os 54 parlamentares estejam presentes. Senão, é preciso maioria simples do total de votantes. Em tese, o líder do governo, Durval Amaral (PFL), conta com 30 votos. A oposição tinha 24, antes de Moura anunciar que conseguiu mais apoio. Os opositores apostavam na falta de dinheiro do governo do Estado para mudar o voto de aliados, argumentado que muitos governistas estão descontentes com a falta de repasses aos municípios, o que impede a realização de obras nas bases dos deputados.
A oposição trabalhava ainda para que os três deputados do PSB que fazem parte da base de apoio ao governo estadual obedecessem à orientação nacional do partido de votar contra as privatizações do setor elétrico. No entanto, o deputado Hidekazu Takayama avalia que a bancada não pode servir de joguete político. Ele disse que tem conversado com a direção do partido, explicando o posicionamento favorável à venda da Copel. O chamado bloco independente, formado por sete ex-aliados de Lerner, também trabalhava para angariar mais votos.
O deputado Orlando Pessuti (PMDB) lembrou que a oposição tem até segunda-feira para articular novas estratégias. O líder dos partidos de oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB), disse que só define o que será feito na sessão de segunda à tarde em reunião pela manhã.
Pugliesi disse que o governo quer usar os recursos da Copel para viabilizar as eleições de 2002. A versão do Palácio Iguaçu é que os recursos serão usados para livrar os cofres do Estado de um déficit previdenciário mensal de R$ 100 milhões.


