‘‘Vamos divulgar para fazer com que o deputado ou senador se sinta pressionado por suas bases a manter coerência com seus atos’’
A oposição no Congresso divulga hoje a lista dos parlamentares que assinaram o requerimento da CPI da Corrupção. A estratégia é um contra-ataque à ofensiva do governo em tentar convencer os aliados a retirarem suas assinaturas ou não assinarem o requerimento. ‘‘Vamos divulgar para fazer com que o deputado ou senador se sinta pressionado por suas bases a manter coerência com seus atos’’, argumentou o líder do PT na Câmara, deputado Walter Pinheiro (BA).
Os oposicionistas não querem declarar quantas assinaturas conseguiram, mas deputados da base governista continuam insistindo que já têm engatilhadas de seis a dez cartas de deputados aliados solicitando as retiradas de apoio ao requerimento. ‘‘Só vamos divulgar os nomes quando a oposição quiser protocolar o pedido’’, afirmou o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
O líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE) disse na quarta-feira que alguns deputados do partido tinham informado que iriam retirar a assinatura, como o deputado Ursicino Queiroz (BA). Hoje, Queiroz negou. ‘‘Meu líder é (o senador) Antônio Carlos Magalhães e não Inocêncio e minha assinatura continuará firme’’, declarou o deputado.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ontem que, se houver CPI, o Congresso terá de organizar um período para trabalhar a pauta de votações, para que as investigações não prejudiquem ‘‘a retomada do desenvolvimento econômico do País’’.
De acordo com o regimento do Congresso, no caso de uma CPI mista pode-se retirar ou acrescentar assinaturas ao pedido até a sua publicação no Diário do Congresso. A oposição divulgou, na quarta-feira, que tinha as 171 assinaturas necessárias na Câmara e 27 no Senado, números mínimos para a instalação de uma CPI mista.
Alguns deputados oposicionistas justificaram que não protocolariam o requerimento ontem por dois motivos: o depoimento do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) iria abafar o fato político e, por conta da aproximação com o feriado da próxima semana, hoje, o governo teria assim mais dificuldade de fazer pressão para retirar assinaturas. ‘‘Queremos ter pelo menos 200 nomes como margem de segurança antes de apresentar o requerimento’’, afirmou o líder do PT na Câmara.

mockup