Brasília - Embalados pelo sucesso da aprovação da convocação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para depor na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, os partidos de oposição tentaram enterrar ontem a CPI Mista dos Cartões Corporativos e abrir uma nova comissão de inquérito formada exclusivamente por senadores. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), comprometeu-se a ler o requerimento de criação da CPI apenas de senadores na próxima terça-feira.
''Vou ler o requerimento na terça-feira, doa a quem doer, custe o que custar. Se depender de mim, a CPI vai funcionar. Não estou aqui para segurar nenhuma CPI'', afirmou Garibaldi. A estratégia da oposição de investir em outra comissão de inquérito foi uma resposta ao rolo compressor do governo, que derrubou ontem na CPI Mista os requerimentos de convocação de seis ecônomos do Palácio do Planalto e de duas assessoras diretas de Dilma Rousseff: a secretária-executiva, Erenice Guerra, e chefe de gabinete, Maria de La Soledad Bajo Catrillo. A convocação das duas foi rejeitada por 13 votos a seis. Elas são apontadas como ordenadoras da confecção de suposto dossiê com gastos de verbas públicas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua família.
A oposição foi ontem para reunião disposta a acabar com CPI dos Cartões para expor o governo. Com a derrota dos requerimentos de convocação, os oposicionistas tentaram deixar claro que a base aliada resiste a aprofundar as investigações de uso de cartões corporativos e contas tipo B (despesa justificada por nota fiscal depois de o servidor receber uma verba) com a averiguação de gastos da Presidência da República. Apenas um requerimento foi aprovado na sessão de hoje: o convite para depor a Alexandre Correa Abreu, diretor do Banco do Brasil Cartões.
''Com a aprovação desse requerimento, estamos dando uma demonstração de que queremos continuar com a CPI'', disse o deputado Carlos Willian (PTC-MG), integrante da tropa de choque do governo. A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), já havia avisado que, sem a aprovação de requerimentos de convocação e de envio de informações de gastos sigilosos, os trabalhos da comissão de inquérito seriam encerrados a partir da próxima quinta-feira, quando terminam os depoimentos de autoridades. Segundo ela, restaria apenas marcar uma data para o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) apresentar seu relatório.
''Não há mais razão para se ter mais sessões a partir de quinta-feira da semana que vem, quando acabam os depoimentos. O relator vai me dizer qual o prazo que precisa para fazer seu relatório e aí marcamos o dia da votação'', disse a senadora. ''No atual momento não tenho condições de iniciar o relatório'', reconheceu Luiz Sérgio.
Para manter viva a CPI e não dar discursos para oposição, o governo decidiu centrar seus esforços de apuração nas 72 caixas de documentos dos ministérios do Planejamento e da Previdência que chegaram ontem à comissão. Os governistas esperam que ''fatos novos'' apareçam na documentação, dando combustível para a CPI ir em frente.

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