Oposição derrota novamente o governo
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terça-feira, 10 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
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Dia da oposiçãoMichel Temer, presidente da Câmara, chega ao Congresso: governo é derrotado na estréia de Luís EduardoO governo perdeu mais uma vez na votação da reforma administrativa ao não conseguir criar o subteto salarial para Estados e municípios. Nem a estréia em plenário do deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) no cargo de líder conseguiu unir a base do governo em torno de um projeto. Por 301 votos a favor, 142 contrários e 11 abstenções foi arrancada do texto a possibilidade de os governos estaduais fixarem subtetos para seus servidores. Eram necessários 308 votos.
Um pouco antes do início da votação o presidente Fernando Henrique Cardoso conversou com o líder Luís Eduardo sobre a reforma administrativa. De acordo com informações do porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio Amaral, o presidente disse a Luís Eduardo que a posição do governo era inflexível: pontos essenciais da reforma não poderiam ser modificados.
As bases não ouviram os apelos do presidente. O PMDB de Minas, por exemplo, ameaçou se rebelar. Foi o recado para que o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, desista da idéia de demitir o diretor do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), Maurício Hasenclever, protegido do prefeito de Contagem, Newton Cardoso. Houve dissidências em todos os partidos da base de apoio a Fernando Henrique. PMDB, 23; PPB, 23; PSDB, 10 e PFL, 9.
Os líderes aliados consideravam muito importante a autorização para que os Estados e municípios pudessem criar subtetos salariais abaixo do teto de R$ 12 mil (o salário do mais antigo ministro do Supremo Tribunal Federal) porque ajudaria no combate aos altos salários de servidores - os chamados marajás. Luís Eduardo argumentou que os abusos são muitos e os Estados nem conseguem pagar o 13º salário. Tem alguns que ganham mais de R$ 50 mil, afirmou. A sociedade aguarda que a casa se pronuncie.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), concedeu uma hora e quinze minutos de prazo para que houvesse a votação da parte referente ao subteto. Só encerrou a votação quando 454 deputados tinham marcado a presença e votado. Por esperar tanto, foi xingado pelo deputado Haroldo Lima (PC do B-BA) e pela deputada Cidinha Campos (PDT-RJ). Ela disse que nem quando tinha cinco anos havia sido tratada daquele jeito. Afirmou que deixaria o plenário: Estou indo embora, beijinho, beijinho, tchau, tchau, disse, imitando a apresentadora de TV Xuxa Meneghel.


