Vereadores de oposição de Sabáudia (65 km a oeste de Londrina) estão recorrendo ao Ministério Público para comprovar a existência de irregularidades na administração do prefeito Wilson Mendes (PFL).
José da Silva, Sebastião Dalcin Rosa (ambos do PMDB) e Paulo Sérgio Gusson (PSDB) entregaram à promotoria um dossiê contendo denúncias, que segundo eles, em alguns casos, não podem ser comprovadas porque o Executivo se recusa a prestar informações ao Legislativo. O mesmo dossiê foi entregue em maio ao Tribunal de Contas do Estado.
Eles sustentam que o prefeito continuaria debitando dos salários dos servidores a contribuição previdenciária mesmo depois que o fundo de pensão da categoria foi extinto. Os vereadores também suspeitam que no processo de liquidação do fundo teria desaparecido do caixa R$ 117 mil.
As contratações de funcionários durante a gestão de Mendes também estão sendo constestadas. Quarenta e sete deles teriam sido admitidos para ocupar cargos comissionados, mas desempenham outras atividades. Além disso, a reforma no hospital municipal teria tido licitação fraudada e custo superfaturado.
A promotora Leila Shimiti Voltarelli, do Fórum de Arapongas, está analisando a documentação e na próxima semana deve se pronunciar sobre o caso. ‘‘São muitas denúncias. Estou avaliando tudo minuciosamente, para depois instaurar os procedimentos adequados’’, informou a representante do Ministério Público.
O prefeito Mendes diz que ‘‘é tudo mentira’’ e promete entrar na Justiça contra os vereadores. ‘‘É o desespero da oposição. Eles são muito pouco atuantes, é por isso que não conseguem obter informação nenhuma’’, afirma o prefeito. ‘‘Todos os documentos de contabilidade e finanças da prefeitura estão à disposição deles e de todos os cidadãos de Sabáudia’’.
Em relação às denúncias de licitação fraudulenta e superfaturamento nas obras de reforma do hospital municipal (que deverá ser inaugurado no próximo dia 24), o prefeito diz que o Ministério da Saúde, que custeou boa parte da obra, considerou adequado o uso do dinheiro. Mendes lembra que a anulação da primeira licitação foi provocada pela falência da empreiteira que começou a executar a obra, ainda na administração anterior.
Ainda segundo o prefeito, o Município está em entedimento com o governo federal para voltar a adotar o INSS como caixa previdenciário. Sabáudia estaria devendo cerca de R$ 800 mil ao instituto e já teria renegociado esta dívida. ‘‘O dinheiro que dizem que desapareceu do fundo de pensão foi transferido para os cofres municipais e a dedução do funcionalismo continua como forma de garantia de receita nas negociações com o INSS’’, justifica.
Quanto ao possível excesso de cargos comissionados na Prefeitura (cerca de 25% do total), Mendes afirma ‘‘que a população está bem servida pelo funcionalismo e isto é o mais importante’’.
Mendes diz que não tem medo das investigações e já autorizou gerentes das três agências bancárias nas quais tem conta a permitir o acesso de qualquer pessoa a sua movimentação financeira. ‘‘Só precisa pagar o extrato retirado’’, informou. A autorização, segundo ele, também se estende aos cartórios da região. (Colaborou Maurício Borges, de Apucarana).

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