A bancada de oposição oficializou ontem na mesa executiva da Assembléia Legislativa que seus três integrantes – Ângelo Vanhoni (PT), Edson Strapasson (PMDB) e Edno Guimarães (PDT) – abandonaram a CPI do Narcotráfico. Há 15 dias, através do líder do PMDB, Nereu Moura, os deputados haviam encaminhado um requerimento à mesa pedindo o afastamento de Algaci Túlio (PTB), acusado de manter ligações com o empresário Paulo Mandelli e o investigador Altair Ferreira Pinto, o Taíco. Eles haviam condicionado a presença deles na CPI somente se o pedido de desligamento de Algaci fosse aceito.
‘‘Não podemos avalisar politicamente o trabalho de uma comissão de ‘faz-de-conta’. O Algaci está sofrendo este desgaste por teimosia, já que, antes de assumir a presidência, deveria ter falado sobre esssas amizades’’, justificou o líder da oposição, Irineu Colombo (PT). Ele também criticou a ‘‘forma equivocada’’ que os trabalhos da CPI estão sendo feitos e o fato do governo do Estado não estar dando apoio logístico às investigações. ‘‘Estávamos trabalhando sem rumo’’, afirmou Strapasson.
Ontem, Algaci não falou com os jornalistas que cobrem o dia-a-dia da Assembléia. A Folha tentou contato pelo telefone celular, mas não conseguiu encontrá-lo. Através de sua assessoria de imprensa, o presidente da Assembléia, Nelson Justus (PTB), lamentou a saída dos três e informou que ainda hoje deve indicar os nomes dos substitutos na comissão, que é formada por 11 deputados. ‘‘Foi uma decisão (a retirada da oposição da CPI) política e não técnica.’’
Desde meados de abril – quando circulou um panfleto com a reprodução de uma foto de Algaci ao lado de Taíco – a oposição passou a manifestar-se publicamente contra a permanência dele na CPI. Os deputados queriam que o presidente da CPI se declarasse ‘‘impedido moralmente.’’ Durante a passagem da CPI nacional do narcotráfico Mandelli foi acusado de ser um dos principais envolvidos com o roubo, receptação e desmanche de carros no Paraná com a conivência da Polícia Civil. Taíco estaria envolvido no esquema de recebimento de propinas.
Há duas semanas foram divulgadas cópias de canhotos de cheques e de uma lista de outros canhotos que pertenceriam a uma conta de Mandelli. As cópias trazem referências – ‘‘Política/Algaci’’ e ‘‘Alborghetti’’ – que levam a crer que os deputados Algaci e Luiz Carlos Alborghetti (PFL) teriam recebido dinheiro de Mandelli.
As cópias dos documentos foram entregues pelo próprio Algaci e por Moura ao presidente da Assembléia, que as repassou para análise da procuradoria jurídica da Assembléia. No parecer entregue a Justus na semana passada, a procuradoria recomendou a criação de uma comissão temporária de ética e decoro parlamentar para investigar o caso.
A primeira reunião desta comissão foi transferida de ontem à tarde para hoje pela manhã. Ontem também ficaram decididas duas substituições na comissão. Os deputados Luiz Carlos Martins (PSL) e Duílio Genari (PPB) vão substituir os colegas César Seleme (PPB) e César Silvestri (PTB). Eles se integram ao grupo formado por Albanor Gomes (PSDB), Ademir Bier (PMDB) e Élio Rusch (PFL).

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