Brasília - O presidente do PSDB, senador Sergio Guerra (PE), marcou para a próxima semana uma reunião com os líderes do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), e na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), para definir a linha de ação frente ao aumento dos impostos feito pelo governo e aos cortes no Orçamento da União, ainda em discussão no Congresso. Os principais líderes da oposição reafirmaram ontem a pretensão de endurecer no Congresso e até obstruir as votações em resposta ao aumento de impostos anunciado esta semana. ''Se o governo continuar no ritmo que está, com a prepotência e com a mesmafúria tributária, nós vamos ser obrigados a ser mais resistentes do que nos cinco anos anteriores do governo Lula'', afirmou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
A oposição poderá ter o PDT como aliado nessa ofensiva se o governo cortar recursos para a educação, conforme já cogitou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. ''Isso criará dificuldades no relacionamento com o Planalto e, com certeza, poderá nos levar a votar com a oposição'', advertiu o líder do partido, senador Jefferson Péres (AM), ressaltando que o setor não pode mais ser prejudicado. Por outro lado, o pedetista deseja colaborar com o governo e já pediu ao presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que convoque em fevereiro uma reunião dos líderes para discutir cortes de despesas no Legislativo.
''Creio que o Congresso e o Judiciário deveriam ajudar cortando gastos supérfluos, que incomodam muito'', afirmou Péres, defendendo, por exemplo, o fim da verba indenizatória de R$ 15 mil a que todo parlamentar tem direito mensalmente para cobrir despesas nos Estados. ''Outros gastos com viagens ao exterior dos parlamentares e número excessivo de assessores poderiam ser cortados. Mas ninguém fala nisso'', disse.
Já o senador José Agripino (DEM-RN) afirmou que o governo poderia dar exemplo extinguindo a TV Pública e a Secretaria de Longo Prazo da Presidência, comandada pelo filósofo Mangabeira Unger. ''Só assim o governo teria autoridade moral para dialogar com a oposição'', afirmou.
A preocupação dos tucanos, segundo avaliação de Tasso, é que o governo jogue fora ''tudo que se ganhou nos últimos anos, em função de uma fúria tributária e de uma vontade de não fazer nada, de fazer populismo, aquilo que é mais fácil''. Segundo ele, a oposição está percebendo que o governo está indo pelo caminho completamente errado na economia, ao anunciar o pacote de medidas de aumento do IOF e da CSLL para compensar as perdas financeiras com o fim da CPMF.
''É um péssimo sinal. O governo se acomodou naquilo que é mais fácil, quando aumenta impostos, ao invés de se preocupar em negociar uma reforma tributária e redução de despesa'', afirmou.
Na avaliação do senador, a oposição não deveria ficar surpresa com as medidas, embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia declarado, em dezembro, que não teria aumento de carga tributária para compensar a CPMF. ''Nós deveríamos estar acostumados com o fato de o Presidente dizer uma coisa e no dia seguinte acontecer outra'', afirmou.

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