Brasília - Um dia depois de a CPI dos Correios dizer ter confirmado que dinheiro público abasteceu o valerioduto, integrantes da oposição voltaram a defender abertamente o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abandonando a cautela adotada na última semana.
''Nada disso terá conserto enquanto Lula não for constrangido democraticamente a mudar de comportamento ou, caso se recuse, enquanto não renunciar ou for impedido. Não se trata de pedir o impeachment num arroubo inconsequente, trata-se de parar de poupar Lula, não na retórica, e sim com ações concretas, interpelando-o formalmente para que dê explicações à nação sobre tudo isso'', disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), em discurso na tribuna.
Para ele, há elementos ''muito mais expressivos'' para o impeachmet de Lula do que os que justificaram o afastamento do presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992). ''Se houvesse entidades representativas da sociedade com a mesma energia das que já tivemos, o pedido de impeachment do presidente Lula seria apresentado à Mesa da Câmara dos Deputados'', afirmou ele.
Apesar da análise feita pelo senador, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, levantou ontem a possibilidade do impeachment ao comentar a declaração do relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), de que foram desviados R$ 10 milhões do Banco do Brasil para o esquema do ''mensalão''.
''Com essa denúncia, já há origem e destino das verbas que abasteceram o chamado mensalão. Havendo a comprovação dos fatos e diante da falta de transparência do presidente Lula na crise, todo cenário é possível, inclusive o remédio amargo, o impeachment'', disse o presidente da OAB.
''Chegou o momento de as pessoas sérias e responsáveis começarem a discutir o afastamento de Lula'', reforçou o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE). ''Ficou comprovado agora o uso abusivo de algo que é um símbolo do país, o Banco do Brasil. Isso dá a demonstração da total irresponsabilidade que é esse governo, e esse governo tem um grande irresponsável, que é o presidente Lula'', acrescentou Freire.

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