Gerson Camarotti Agência Estado
Os partidos de oposição pretendem mobilizar a população para pressionar a Câmara dos Deputados pela aprovação da denúncia contra o presidente Fernando Henrique por crime de responsabilidade, com base na divulgação das fitas com grampos no BNDES. Eles começaram ontem coletando ontem 1.000 assinaturas em Brasília. A mobilização deverá ser concluída em agosto, com uma marcha nacional que pretende reunir na capital pelo menos 100 mil pessoas.
‘‘Vamos sair pelas ruas para exigir do Congresso que se auto-respeite e não fique de joelhos diante do presidente da República’’, disse o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. ‘‘O que eu lamento é que o Congresso não se faça respeitar como um poder soberano’’, disse.
Para o líder petista, a iniciativa da oposição também irá servir para protestar contra o governo FHC, que segundo ele, acabou com a possibilidade de emprego no País. ‘‘Esta é uma frente em defesa do País’’, pregou Lula. ‘‘Estamos envolvidos numa crise moral e ética sem precedente na história do Brasil; por muito menos Collor sofreu um impeachment e Nixon renunciou’’.
Segundo Lula, a mobilização é a melhor forma de pressionar o Congresso. ‘‘Vamos colocar o povo na rua e depois a gente vê o que acontece; afinal, se as fitas não valem para o Poder Judiciário, elas valem para a moral e a ética’’, atacou Lula, fazendo uma referência às conversas com o grampo no BNDES. Já o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), disse que a mobilização será feita dentro da legalidade.
A decisão de fazer uma grande marcha nacional foi o principal resultado de quatro horas de reunião entre os presidentes dos cinco partidos de oposição: José Dirceu, do PT; Leonel Brizola, do PDT; Miguel Arraes, do PSB; João Amazonas, do PC do B; e Zuleide Faria de Melo, do PCB.
Na reunião, também foi decidida uma ação conjunta dos partidos de oposição contra o projeto de lei da Reforma Política do senador Sérgio Machado (PSDB-CE) estabelecendo a cláusula de barreira, a proibição de coligações partidárias para disputas proporcionais, o voto distrital misto e a fidelidade partidária.

mockup