O presidente da Comissão Parlementar de Inquérito (CPI) que investiga o tráfico de drogas no Paraná, Algaci Túlio (PTB), ganhou uma semana de trégua dos deputados da bancada de oposição ao governo Jaime Lerner. Ontem terminaria o prazo dado pelos oposicionistas para que o presidente da Assembléia, Nelson Justus (PTB) se manifestasse sobre a permanência de Algaci na presidência da CPI, mas a bancada de oposição recuou e vai aguardar o parecer da procuradoria jurídica da Assembléia que, desde sexta-feira, analisa as cópias de canhotos de cheques que comprovariam o envolvimento de Algaci e do deputado Luiz Carlos Alborghetti (PFL) com o empresário Paulo Mandelli (acusado de ser o ‘‘Rei dos Desmanches’’ de carros roubados no Estado).
Ontem a bancada de oposição formalizou, por escrito, o pedido de afastamento de Algaci na mesa executiva da Assembléia. Na semana passada, o líder do PMDB, Nereu Moura, havia feito o pedido informalmente a Justus, o que desagradou Algaci. ‘‘Na semana que vem, se a resposta da procuradoria jurídica da Assembléia – e até mesmo do presidente – não satisfizer a opinião pública, vamos deixar a CPI’’, voltou a ameaçar Irineu Colombo, o líder dos oposicionistas.
‘‘Me sinto apunhalado pelas costas. Só me tiram da CPI o presidente da Assembléia ou os meus próprios companheiros de CPI’’, reclamou Algaci, durante discurso ontem na Assembléia. Desde meados de abril – quando circulou um folheto com a reprodução de uma foto de Algaci com o investigador Altair Ferreira Pinto, o ‘‘Taíco’’ (preso devido a denúncias do envolvimento dele com o crime organizado) – a bancada de oposição está ameaçando abandonar a CPI do Narcotráfico. Dos integrantes titulares da comissão não fazem parte da bancada governista os deputados Ângelo Vanhoni (PT), Edgar Bueno (PDT) e Edson Strapasson (PMDB).
Na semana passada, o senador Roberto Requião (PMDB) divulgou as cópias dos canhotos e de uma lista de outros canhotos com referências a nomes e sobrenomes de políticos, policiais e outras autoridades. Nas cópias (aos quais a Folha também teve acesso), existem anotações de valores variando de R$ 150 a R$ 95.800. As referências a ‘‘Política/Algaci’’ e ‘‘Alborghetti’’, levam a crer que sejam os deputados Algaci e Alborghetti. Pelas anotações Algaci e Alborghetti teriam recebido, respectivamente, R$ 10.800 e R$ 18.500. Nas cópias também existem a anotação ‘‘PMDB’’, com o valor de R$ 5 mil.
Com mais esta denúncia, a bancada de oposição passou a cobrar publicamente de Algaci que ele se declarasse ‘‘impedido moralmente’’ de prosseguir na presidência da CPI. ‘‘Seria bastante frustrante se a CPI do narcotráfico fosse esvaziada’’, repetiu Nelson Justus ontem à tarde. O presidente da Assembléia recebeu as cópias dos canhotos de Moura e Algaci e as repassou, na sexta-feira para a procuradoria jurídica da Assembléia.

mockup